'Meu pai era único', diz filho que segue os passos de Mr. Catra no funk

Regiane Jesus
·3 minuto de leitura

RIO — “Não sou um segundo Catra. Meu pai era único”. MC Juninho FSF (Família Sagrada Família) carrega o legado de ser filho do mister funkeiro morto em 2018, aos 50 anos, com honra e sem esquecer um dos maiores ensinamentos que ele deixou, nunca perder a humildade. Aos 26 anos, o cantor e compositor, morador do Lins de Vasconcelos, curte o sucesso do hit “Rebola e joga” com os pés fincados no chão. A bem-sucedida trajetória da canção, que viralizou no TikTok com o apoio de famosos, como as cantoras Anitta e Ludmilla, além de estar bombando no Spotify e no YouTube com milhões de acessos, é vista como resultado de uma carreira iniciada há uma década com o apoio daquele que foi seu maior incentivador.

— Foi através do meu pai que comecei a cantar. Eu tinha muita vergonha de mostrar as minhas composições, mas minha irmã Tamara entregou o meu caderno de músicas e, no dia seguinte, ele já me pôs para gravar no estúdio que tinha em casa. Em seguida, me levou para participar de um show — conta.

De uma coisa, MC Juninho FSF não tem dúvida: Mr. Catra estaria radiante com o seu sucesso.

— Se o meu pai não tivesse morrido, ele estaria muito feliz com tudo o que está acontecendo na minha carreira. Mas me diria para ter humildade, manter os pés no chão e continuar trabalhando bastante para realizar os meus sonhos. Vou levar para a minha vida inteira a mensagem de amor que o meu pai espalhava por onde passava —diz o artista.

Filho adotivo de um total dos 33 que Catra teve, MC Juninho não esconde a saudade que insiste em bater forte:

— Sinto falta do meu pai em todos os momentos. A gente se falava diariamente, mesmo nos últimos tempos, em que ele se mudou para São Paulo e eu continuei morando no Rio. Lembro da época em que acordava e ia para o quarto dele, deitar ao seu lado. Era bom demais! A gente conversava sobre tudo, brincava junto, era uma relação de amor e confiança. Eu contava um monte de problemas, e ele me dava um milhão de soluções. O meu pai faz uma falta danada em tudo o que se possa imaginar. Eu tinha um pai, um ídolo e um melhor amigo. Ele me ensinou tudo o que sei, inclusive a tratar o funk com respeito.

Adotado por Mr. Catra aos 15 anos, Juninho segue os passos do pai na carreira artística com o maior orgulho. Só não pensa em ter tantos filhos quanto ele.

— Eu ainda não sou pai, mas está nos meus planos. No momento certo, quero ter filhos e ser um pai tão bom quanto o que eu tive. Mas 33 é um pouco demais, né? — brinca.

Sobre seu atual momento profissional, Juninho anda rindo à toa. Ter conquistado o apoio espontâneo de artistas consagradas, como Anitta e Ludmilla, foi tão inesperado quanto especial.

— Elas gostaram da música “Rebola e joga”, fizeram vídeos cantando e dançando e postaram em suas redes sociais. Imagina a sensação de ser fã e, de repente, ver que aquele artista que você curte está curtindo o seu trabalho? Eu só agradeço às duas, que nem conheço pessoalmente, e a tantos outros colegas e amigos cantores que estão apoiando o meu trabalho. Não poderia estar mais feliz! — frisa o MC.

Desde que foi permitida a retomada da realização de shows, a agenda do funkeiro ficou concorrida. Mas se houver necessidade de cancelar compromissos por determinação das autoridades, o herdeiro de Catra vai acatar a decisão com tranquilidade:

— O aumento dos casos de Covid-19 é uma preocupação de todos nós.

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