'Meu papel é orar por Lula', diz Silas Malafaia

***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 28.09.2022 - Entrevista com o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 28.09.2022 - Entrevista com o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para o pastor Silas Malafaia, um dos mais aguerridos cabos eleitorais do bolsonarismo nesta eleição, seu papel é orar por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a autoridade constituída da vez ao vencer as eleições neste domingo (30).

O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo diz que "a vontade soberana do povo se estabeleceu" e, se Jair Bolsonaro (PL) e aliados quiserem contestar o resultado, vão ter que ter "muitas provas robustas".

"Eu não embarco em aventura de ninguém sem provas. [...] 'Ai, teve roubo.' Então prova, 'cumpadi'."

PERGUNTA - Por que o sr. acha que Lula ganhou este pleito?

SILAS MALAFAIA - Aí você está querendo que eu seja Deus. Uma eleição dessa, decidida por 1%, por que Lula ganhou? Não vou aqui arrumar nenhuma desculpa ou nenhum fator. E o jogo pesado que foi, né?

Você viu ontem no Jornal Nacional, como é que o Jornal Nacional produziu? Vem Lula dizer que quer substituir armas por livro. Qual é a cena seguinte? A [Carla] Zambelli atrás com uma arma. É só um dadozinho para mostrar como é que é feito o enredo da brincadeira. Pô, uma eleição muito apertada, qualquer um podia ganhar.

Em eleições passadas, muitos pastores apoiaram o governante da vez. Acha que alguns irão voltar a Lula agora que ele venceu?

S. M. - Aqui é um engano de vocês da mídia. Eu conheço os líderes que estiveram com Lula e com Dilma. Depois que ficamos sabendo daqueles posicionamentos de pauta de costumes, eu sei quem ficou com eles, eu sei. Não vou dar nome. Mas não tinha muitos líderes.

Para mim, alguns desses ficaram em cima do muro nessa eleição. Também não vou dar nome. É só você entrar nas redes sociais deles e ver se tem uma palavra sobre a eleição. São os que vão para lá [para Lula]. São pouquíssimos.

A Bíblia orienta que cristãos orem pela autoridade eleita. O sr. reconhece e vai orar por Lula?

S. M. - Gostaria de informar a você que o culto hoje [domingo] foi encerrado fazendo oração pelo Brasil e por Lula, porque aprendi um princípio da Bíblia. [O apóstolo] Paulo dizia: Antes de tudo, que se façam orações, súplicas pelos homens que estão em eminência, para que tenham uma vida quieta e sossegada. Gravei 57 vídeos [sobre a eleição] no primeiro e no segundo turno. Tenho a alma lavada de que não fui covarde nem omisso, me posicionei pelos meus princípios e valores.

O cara ganhou? Meu papel é orar por ele, esse é o meu papel. Já fiz a oração aqui na igreja. Até os idiotas do PT tentaram usar [contra mim], mas sempre disse que a igreja não apoia ninguém, quem apoia somos nós. A igreja é uma instituição que está acima disso. Eu que apoio, que sou cidadão, entendeu?

O sr. acredita que Bolsonaro vá contestar o resultado? Se o fizer, será com apoio do segmento?

S. M. - Bolsonaro, para contestar o resultado, tem que ter provas sobre provas, com muitas provas robustas, para dizer que houve fraude, né? Porque não vem aqui, eu não embarco em aventura de ninguém sem provas. Essa é a minha posição. A vontade soberana do povo se estabeleceu. 'Ai, teve roubo.' Então prova, 'cumpadi'.

E outra, não é comprovar com conversa, não. É comprovar com coisas robustas. Eu aprendi: venceu, venceu, perdeu, perdeu. Qual foi minha oração aqui? Que Deus livre o Brasil do caos político, social e econômico. Que isso aqui não vire uma Argentina, uma Venezuela, não vire o que está indo o Chile, a Colômbia. Que Deus tenha misericórdia do Brasil e dê sabedoria a Lula.

Porque, na verdade, os criminosos voltaram à cena do crime. É surreal, surreal, gente condenada com provas substanciais volta e tem apoio da mídia, de diversos setores. É uma escolha. É isso o que querem? Eu só posso orar pelo Brasil e pelas autoridades constituídas.