“Meu projeto é salvar vidas”: sobrevivente quer abrir ONG para defender mulheres vítimas de abuso

“Salvando vidas de garotas”: Eva Luana se tornou voz para muitas outras mulheres. Foto: Reprodução/Instagram

Desde o dia 19 de fevereiro deste ano, a vida da estudante Eva Luana, de 21 anos, mudou para sempre. Ela resolveu expor nas redes sociais os abusos e torturas que vinha sofrendo por oito anos nas mãos do padrasto. Após as denúncias, ele foi preso, Eva recebeu uma corrente de apoio dentro e fora das redes sociais e acabou se tornando uma voz que se levantou para falar sobre a violência contra a mulher.

O depoimento feito por Eva é emocionante. Em um dos trechos ela disse: “As agressões eram verbais, físicas e psicológicas. Entre elas, comer muito em tempo estipulado, isso aconteceu com uma pizza família, pra comer inteira em 10 minutos”. Em outro, ela afirmou que ficou grávida após os estupros: “Já abortei diversas vezes. Nunca pude ir ao médico pra fazer curetagem”.

Em entrevista concedida ao blog, ela afirma que sua intenção ao fazer a denúncia não era se tornar uma ativista, mas apenas para mostrar os sofrimentos que vinha passando. Porém, a história foi tão chocante que a vítima passou a ser convidada para dar entrevistas, fazer palestras e recebeu apoio de várias famosas e pessoas anônimas.

Agora, com sua imagem fortalecida na luta pelos direitos das mulheres, Eva diz que segue salvando a vida de meninas quando conta sua história e que tem a intenção de abrir uma ONG (Organização Não Governamental) para “ajudar garotas, meninas e mulheres”. “Meu projeto é salvar vidas”, afirmou ao blog.

“Decidi colocar a público pra mostrar pra Bahia que ele precisava ser preso logo e pra Justiça ser mais célere, sem intenção de ter essa proporção nacional”, afirmou dizendo que a iniciativa de contar tudo o que acontecia foi tomada quando ela decidiu que não era prisioneira. “Ele que deveria estar escondido, não eu”, constatou a jovem.

Segundo ela, sua coragem aumentou ainda mais e ela se sentiu acolhida por tantas pessoas que tiveram empatia por sua vivência. “Eu fiquei feliz em saber que tantas pessoas se comoveram com meu caso, abrindo um leque de ajuda para outras pessoas também. O lado ruim são os comentários negativos, mas não me abalo pois busco crer nas minhas verdades e na minha libertação e na minha paz”, disse ao blog.

Depois de ter tornado seu caso público, ela diz que sua vida mudou totalmente e que ela não tem mais rotina. “Agora tenho agenda, tudo pensando, programado. Até com a segurança física também pra poder sair nos lugares. [Antes] era escola, faculdade e estágio. Não tinha nada além disso. Tudo monitorado e eu era vigiada. Agora sou livre, tenho paz, tenho amigos e tô numa correria enorme salvando vidas de garotas”, afirmou a jovem.

Questionada sobre qual seria seu recado para todas as meninas que estão passando por alguma situação parecida com a dela, Eva diz: “Lute! Não tenha medo! Se você acha que o inferno é aqui fora, depois do pedido de ajuda. Acredite, o inferno é aí dentro. Aqui fora você corre riscos com pessoas te ajudando e você tem maior chances de ser salva do que aí dentro”.

Tem sugestões ou denúncias? Mande um e-mail para giorgia.cavicchioli@gmail.com.