Michael Klein critica remuneração de executivos da Via, dona das Casas Bahia e Ponto

A Via, dona das Casas Bahia e do Ponto, e Michael Klein, dono de 10% da empresa e filho do fundador, Samuel Klein, iniciaram uma disputa pública em torno da remuneração da diretoria executiva da companhia. Klein acusa os administradores da empresa de terem aprovado um aumento de 64% nos valores a serem pagos aos diretores em relação à remuneração oferecida ano passado. A Via, por sua vez, informou que o reajuste aprovado seria de 20%.

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A desavença foi revelada por documentos protocolados tanto por Klein quanto pela Via na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O caso foi antecipado pelo colunista do GLOBO, Lauro Jardim.

No documento protocolado por Klein, e também pelo fundo de investimento no exterior Twinsf, ele explica que se absteve de voltar essa matéria na assembleia realizada no dia 8 de julho. Segundo Klein e o Twinsf, a proposta de remuneração aprovada na reunião teria o poder de “assinar um cheque” de R$ 105 milhões para o Conselho de Administração distribuir entre seus membros e diretores a seu "bel-prazer" contrariando a Lei das S.A.

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Segundo cálculo apresentado no documento, o aumento dos valores distribuídos seria de 64,66% em relação ao exercício anterior, apesar do desempenho da companhia, da não distribuição de proventos aos acionistas nos últimos quatro anos e da desvalorização de aproximadamente 88,18% da cotação das ações de emissão da Via. No ano passado, a Via teve prejuízo de R$ 297 milhões.

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Eles argumentam que não existe justificativa para esse aumento, levando “em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado”, contrariando a lei das S.A., argumenta Klein. Ainda segundo ele e o fundo de investimento, o pagamento excede os valores pagos pelos principais concorrentes da Via.

‘Visões infundadas’

A Via também protocolou documento na CVM em que lamenta “a atitude adotada pelos dois acionistas, que decidiram expressar opiniões que carecem de qualquer embasamento técnico ou fático, expressando, portanto, visões infundadas sobre a remuneração global proposta pela administração, devidamente aprovada pelos acionistas na assembleia geral".

"A administração da Companhia desde já registra que nenhum dos argumentos subsiste", diz o documento.

Segundo as contas da Via, o aumento da remuneração é de 20,75% e não de 64%, como alegado por Klein e pelo fundo. A Via diz que o percentual é remuneração anual global máxima da administração, "o que não se confunde com o montante efetivamente pago ao longo do exercício".

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De acordo com a empresa, nos exercícios anteriores, não foram distribuídos dividendos porque havia a necessidade de compensar prejuízos acumulados anteriormente.

"A desvalorização da cotação das ações da companhia é reflexo de aspectos econômicos conjunturais que afetam o setor em geral. As principais concorrentes da companhia se desvalorizaram em patamares substancialmente semelhantes", diz o texto, que afirma que a remuneração segue os padrões do mercado e atende a lei das S.A.

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Além disso, diz a empresa, a proposta foi aprovada pelos acionistas em assembleia e não apenas por seus administradores. A Via diz ainda que para chegar aos 64%, Klein e o fundo desconsideraram os efeitos da inflação no país nos últimos anos, afetando a comparação e distorcendo seu resultado.

"Não parece crível que indivíduo e fundo altamente capacitados e experientes cometeriam erro tão elementar.", diz o texto.

Em nota enviada ao GLOBO, a Via reforçou que se posicionou publicamente respondendo de forma técnica, com dados e números comprovados, cada uma das suposições levantadas no documento apresentado por Klein.

"Todas as alegações foram contestadas de forma transparente, ressaltando-se ainda que as deliberações questionadas foram aprovadas em assembleias de acionistas. A empresa, desde que se tornou uma corporação independente, em julho de 2019, sempre foi pautada pela transparência e por seu alto compromisso com as melhores práticas de governança", afirma o texto.

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