Michelle Bachelet, da ONU, pede que Brasil faça uma eleição legítima e serena

A alta comissária para Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet durante a última coletiva de imprensa dela no cargo, em 25 de agosto de 2022. (Foto: AFP)
A alta comissária para Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet durante a última coletiva de imprensa dela no cargo, em 25 de agosto de 2022. (Foto: AFP)

A alta comissária da ONU (Organização das Nações Unidas) para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, fez críticas ao atual momento do Brasil e afirmou que o mundo sente falta do protagonismo do país.

As falas foram ditas em entrevista para o jornalista Jamil Chade, do portal UOL, que a entrevistou com exclusividade em Genebra, na Suíça.

A chilena vai deixar o cargo na próxima semana após quatro anos de trabalho na ONU, sendo responsável por diversas denúncias de violações em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.

Na entrevista, Michelle comentou que o Brasil tinha prestígio internacional e que atuava pelo interesse de todo um segmento da população mundial. Ela também afirmou que a democracia no país está em risco e que as desconfianças em torno da urna eletrônica não se justificam.

Michelle também falou que o país retrocedeu em direitos com o comportamento do presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Minha impressão é de que houve, provavelmente, um incremento das violações de direitos humanos, em especial em alguns setores. Ataques contra jornalistas, o aumento do racismo e também o incentivo da presença em territórios indígenas de empresas, o que leva ao aumento do garimpo ilegal. Isso tudo sem uma resposta por parte do governo. Pelo contrário, acompanhado por assassinatos de defensores de direitos humanos e de indígenas”, analisou.

Na oportunidade, Michelle, que viveu a ditadura chilena, foi perguntada sobre o fato de Bolsonaro não reconhecer que o Brasil sofreu um Golpe Militar, em 1964.

Enfática, ela argumentou que como o país não passou por um processo de Justiça e reparação após a redemocratização, não houve reconciliação e por isso nada foi aprendido.

“Isso também afeta a credibilidade da democracia”, assinalou.

Por fim, a alta comissária da ONU fez um apelo à sociedade brasileiro pedindo que o processo eleitoral seja legítimo e ocorra de “forma serena”.