Michelle decide "mergulhar" em campanha de Bolsonaro e deve ajudar na batalha religiosa, dizem fontes

Ao lado de Bolsonaro, Michelle acena ao público durante comício em Juiz de Fora

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - A primeira-dama Michelle Bolsonaro decidiu participar ativamente da campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), o que inclui o horário de rádio e TV, e deve ter como uma das principais missões travar uma batalha religiosa para ampliar os votos do marido no eleitorado evangélico, segundo duas fontes da campanha relataram à Reuters.

Reticente em um primeiro momento de se envolver na campanha, Michelle mudou de ideia e topou ser uma presença constante nos eventos de Bolsonaro, disseram as fontes.

O ato inaugural do "mergulho" da primeira-dama ocorreu na terça-feira, dia da estreia oficial da campanha, em que fez um discurso com forte tom religioso em Juiz de Fora (MG), local onde Bolsonaro foi alvo de um atentado à facada em 2018, no qual disse que o "inimigo só quer saber de roubar e matar", ao destacar que com a ajuda do povo e de Deus o "nosso Brasil vai sair vitorioso".

"Nós pedimos a Deus neste momento que haja proteção dos céus, que haja amor, que haja paz, que haja sabedoria, libertação para aqueles que são enganados porque nós sabemos que o inimigo só quer saber de roubar, matar e destruir e manter as pessoas em cativeiro, cegas, mas nós pedimos para Deus esta libertação para nossa nação", disse.

Na noite de terça, Michelle acompanhou Bolsonaro na solenidade de posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, ficando durante o evento sentada ao lado da mulher do magistrado, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Na manhã desta quarta, de acordo com uma das fontes, a primeira-dama foi com o marido a uma produtora de vídeo em Brasília participar de gravações para programas do horário eleitoral gratuito que começa na próxima semana.

INÉDITA

O envolvimento direto de Michelle na campanha é um movimento inédito de participação política de uma primeira-dama durante as eleições desde ao menos a redemocratização do país. Até o momento, a participação das primeiras-damas era vinculada principalmente a ações pontuais de governo, especialmente na área social.

Segundo uma das fontes, a intenção é que, além de participar de ações com Bolsonaro, Michelle tenha uma espécie de agenda própria de eventos durante a campanha. A intenção é que ela ajude na consolidação e ampliação do voto do presidente no eleitorado evangélico, segmento que ele já lidera, e também quebre resistências a ele entre as mulheres, o maior contingente do eleitorado brasileiro e onde está atrás nas pesquisas de intenção de voto.

A primeira fonte citou ainda que Michelle pode ser peça importante para fazer o enfrentamento contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder das sondagens ao Palácio do Planalto. "Acredito que a questão religiosa vai ser a tônica da campanha neste primeiro momento", disse essa fonte.