Oito candidatos e uma ausência em eleições com final conhecido

Virgínia Hebrero.

Moscou, 16 mar (EFE).- Oito candidatos concorrem às eleições presidenciais do próximo domingo na Rússia, cuja grande ausência nas urnas será a do opositor Alexei Navalny e que dificilmente não terão como vencedor o atual chefe do Kremlin, Vladimir Putin.

As mais recentes pesquisas apontam que Putin tem entre 60% e 70% das intenções de voto de um universo de 110 milhões de eleitores. Os sete adversários do atual mandatário - nenhum com projeção de chegar sequer a 10% dos votos - representam diferentes setores da sociedade russa e diferentes gerações, com veteranos e caras novas da política.

Entre os velhos conhecidos figuram, além do próprio Putin, o polêmico ultranacionalista Vladimir Zhirinovsky, de 71 anos, e o líder do partido liberal Yabloko, Grigory Yavlinsky, de 65 anos, ambos já na política desde antes da queda da URSS.

Entre as novas caras se destacam a única candidata mulher, Ksenia Sobchak, de 36 anos, que entrou na política recentemente, e Pavel Grudinin, candidato de 58 anos que o Partido Comunista alçou de surpresa ao invés do seu veterano líder, Gennady Zyuganov.

Completam a lista de candidatos outro comunista - este de vertente stalinista - Maxim Suraikin, de 39 anos; o empresário Boris Titov, de 58; e o nacionalista Sergey Baburin, de 59.

Tirando Putin, que lidera as intenções de voto com uma vantagem estratosférica - 69,7% segundo a última pesquisa do VTSIOM e 64% segundo o FOM -, a disputa pelo segundo posto é entre Grudinin e Zhirinovsky, que têm entre 6% e 7%.

Ambos representam partidos com presença parlamentar de longa data - da chamada "oposição sistêmica", que não desafia o poder - o ultranacionalista Partido Comunista e o Liberal Democrático, respectivamente.

Grudinin é uma espécie de "magnata vermelho" que dirige a Lenin Sovkhoz, uma das empresas agrícolas mais bem-sucedidas da Rússia, e foi acusado insistentemente de ter grandes quantias de dinheiro e propriedades em outros países. As últimas pesquisas dão a ele entre 6,5% e 7,1% das intenções de voto.

Com 5,6% a 6,6%, o histriônico Zhirinovsky, candidato pela sexta vez, é conhecido por extravagâncias e discursos agressivos em relação ao Ocidente. Nesta campanha, chamou Ksenia de "puta" durante um debate e disse que, caso seja eleito presidente, lançará um ataque preventivo contra os Estados Unidos.

Única mulher e mais jovem entre os candidatos, Ksenia é uma popular apresentadora de televisão na Rússia, filha do ex-prefeito de São Petersburgo durante a Perestroika e mentor político de Putin, Anatoli Sobchak.

Fazendo oposição a Putin, a candidata se atreveu a dizer que a Crimeia não é da Rússia, tenta conseguir o voto de protesto e nega ser "um projeto do Kremlin", como alguns acusam, dada a familiaridade com a qual trata o líder.

Em uma das pesquisas, Ksenia chegou a aparecer com 4% das intenções de voto, embora a maioria delas as deixe com pouco mais de 1%.

Nenhum dos outros quatro candidatos chegaria a esse número. Talvez o veterano economista Yavlinski - artífice das reformas econômicas de Mikhail Gorbachev -, cujo partido Yabloko não tem representação parlamentar.

Na campanha, que pode ser sua última, o liberal de centro-esquerda também criticou a política de Putin em relação à Ucrânia e à anexação da Crimeia.

Por sua vez, Titov é um empresário que dirige o Partido do Crescimento; Baburin, um nacionalista que já parlamentar pelo partido Rodina (Pátria); e Suraikin, um comunista radical que alguns acreditam que foi lançado como candidato para tirar votos de Grudinin.

A grande ausência das eleições é o advogado e blogueiro opositor de 41 anos Alexei Navalny, que a justiça tornou inelegível com o argumento de que seus antecedentes criminais por um caso de corrupção que ele alega que foi politicamente motivado.

Apesar de sua candidatura ter sido rejeitada, Navalny continuou fazendo campanha na internet e com alguns grandes comícios em várias cidades para denunciar a corrupção nos círculos governamentais da Rússia. EFE