Michelle Obama e influenciadoras do mundo inteiro, inclusive do Brasil, se reúnem em série para debater educação de garotas

`À esquerda, Ana Paula Xongani e, à direita, Jout Jout

Existe uma conta na educação mundial que não fecha. “É valioso, importante e absolutamente necessário nos dedicarmos às nossas meninas da mesma maneira que investimos nos garotos.” Quem diz isso é Michelle Obama, numa das cenas de “Creators for change: educação para meninas”, série documental original do YouTube que chega nesta terça-feira à plataforma. “E como jovens criadores e líderes, vocês serão as agentes da mudança. Vou estar sentada na minha cadeira de rodas dizendo: ‘Olhe só para elas!’”.

A ex-primeira dama dos Estados Unidos fala isso diretamente às influenciadoras Liza Koshy, Prajakta Koli e Thembe Mahlab. O diálogo está no primeiro episódio, em que essas mesmas jovens visitam programas apoiados pela iniciativa Girls Opportunity Alliance, da Fundação Obama, no Vietnã, na Índia e na Namíbia, onde conversaram com adolescentes sobre como elas têm superado as adversidades para seguir com seus estudos. “Seja nos esportes, na criatividade, na autoestima ou na economia, precisamos moldar o mundo inteiro”, diz Michele.

Já que o alerta é global, outros países também são abordados na produção, com youtubers de diferentes nacionalidades produzindo vídeos sobre a temática. No Brasil, a tarefa foi dada à paulistana Ana Paula Xongani e à niteroiense Jout Jout, que vão disponibilizar o conteúdo nos seus próprios canais de vídeo, também nessa terça-feira.“Por que preciso voltar para a escola?” é o episódio de Ana Paula. No vídeo, ela pergunta a nove meninas negras com idades entre 6 e 10 anos sobre como gostariam que fossem as suas escolas e descobre que pouca coisa mudou desde que ocupou as carteiras nos anos 1990. “Elas ainda sonham com as mesmas coisas que eu sonhava. E são desejos que deveriam ser primordiais, como ter meninas parecidas com elas nos livros e ensinamentos sobre as religiões de suas famílias”, comenta. “Conseguiram perceber que o pertencimento de meninas negras na escola passa por questões tão simples, mas que ainda não são garantidas em nossa sociedade machista e racista.”

Lembranças dos tempos de escola também ecoaram no vídeo de Jout Jout, “Elas que lutam”. “Olhando para trás com a cabeça de hoje, dava para ter arrumado algumas brigas significativas com a direção”, diz ela. O episódio de seu canal mostra a atuação de coletivos feministas em diferentes colégios do país. “Onde falta a educação para meninas nesse lugar do gênero, do feminismo, dos direitos, de se colocar e ser ouvida, elas vão lá e se autoeducam.”

Mesmo com o cenário ainda distante do ideal, Jout Jout se encheu de esperança diante da atuação das próprias jovens.“A sensação que reinou foi de animação, ao ver que a galera está no ‘corre’ sem medo, tomando para si a responsabilidade de agir, sabe?” Ana Paula também encontrou professoras e pesquisadoras que andam fazendo a diferença. O que falta, segundo ela, é um esforço por parte das instituições. O impacto dessa negligência? “A perpetuação da desigualdade”, responde Ana Paula.