Microsoft desiste ferramenta que 'reconhece emoções'

Expressões faciais consideradas universais pelo aplicativo diferem entre populações distintas (Getty Image)
Expressões faciais consideradas universais pelo aplicativo diferem entre populações distintas (Getty Image)
  • Microsoft decidiu descontinuar o projeto de inteligência artificial

  • A revisão é ancorada na revisão das políticas de ética da empresa

  • A corporação parou de oferecer o serviço para novos usuários

Projetada para identificar a emoção de um usuário a partir de fotos e vídeos, a Azure Face será descontinuada. O software da Microsoft, alimentado por inteligência artificial, foi deixado de lado após ser criticado por generalizar o reconhecimento de expressões.

Quando lançado, especialistas apontavam que as expressões faciais consideradas universais pelo aplicativo diferem entre populações distintas. Isso significa que não é possível igualar demonstrações externas em diferentes nacionalidades.

“As empresas podem dizer o que quiserem, mas os dados são claros e irrefutáveis. Essas ferramentas podem detectar um rosto carrancudo, mas isso não significa o sentimento de raiva. Essa afirmação é completamente subjetiva”, explica Lisa Feldman Barrett, professora de psicologia da Northeastern University, em entrevista ao The Verge.

A decisão de não seguir em frente com o projeto é ancorada na revisão das políticas de ética de inteligências artificiais da Microsoft. A corporação pretende limitar o acesso a alguns recursos de serviços de reconhecimento facial, além de remover outros completamente de sua lista de apps.

“Especialistas dentro e fora da empresa destacaram a falta de consenso científico sobre a definição de 'emoções'. Além disso, os desafios de como as inferências se generalizam conforme o uso, regiões e dados demográficos geram preocupações de privacidade em torno desse tipo de capacidade”, afirmou a diretora de IA da Microsoft Natasha Crampton.

Com isso, a empresa parou de oferecer o serviço para novos usuários. No caso de quem já utilizava a ferramenta, o acesso deverá ser revogado em junho de 2023.

“A ferramenta tem um potencial empolgante em educação, acessibilidade e entretenimento, mas também pode ser usada de forma inadequada para enganar os ouvintes", reforçou Sarah.

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