Migrante náufraga sobrevive junto a dois mortos no Mediterrâneo

Membro da ONG Proactiva Open Arms resgata uma mulher após o naufrágio de um barco na costa da Líbia

As equipes de resgate da ONG espanhola Proactiva Open Arms descobriram no mar uma mulher que conseguiu sobreviver ao naufrágio de um bote ao ficar agarrada a dois mortos, outra mulher e uma criança.

A ONG estava patrulhando o litoral da Líbia, de onde parte a maioria dos migrantes com destino à Europa, quando fez a macabra descoberta.

A mulher, uma camaronesa de 40 anos, flutuava agarrada aos restos do barco e junto aos corpos dos dois migrantes que não conseguiram sobreviver.

Ela foi atendida pelos médicos com sintomas de hipotermia e trauma emocional.

A Guarda Costeira da Líbia, encarregada de patrulhar a região, indicou que 158 pessoas foram resgatadas a 16 milhas náuticas de Joms, relativamente distante da área onde a náufraga foi encontrada.

Os dois corpos já se encontravam em estado de decomposição.

Dois barcos da ONG espanhola retornaram nesta terça-feira à costa da Líbia, depois de várias semanas de ausência devido às dificuldades para desembarcar os migrantes que resgatam devido à linha dura adotada por Itália e Malta, que se negam a recebê-los.

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, líder da direitista Liga, advertiu em um tuíte que continuará com sua linha dura.

O caso gerou um verdadeiro confronto entre a organização humanitária espanhola e o ministro italiano, acusado de aplicar uma política desumana.

Para a ONG espanhola, os líbios abandonaram as duas mulheres e a criança após intervirem.

"É um fato a ser denunciado ante o Tribunal ​Internacional ​de Direitos Humanos", clamou, indignada, a ONG em comunicado.

Para Óscar Camps, diretor e fundador da ONG, a bordo do "Open Arms" naquele momento e testemunha do ocorrido, a Guarda Costeira líbia omitiu dizer que "deixaram duas mulheres e uma criança a bordo, e afundaram o barco porque não queriam entrar em embarcações de patrulha da Líbia ", disse ele.

"Por quanto tempo teremos que lidar com assassinos recrutados pelo governo italiano para matar e torturar os que tentam cruzar o Mediterrâneo? A política de Matteo Salvini é responsável por este crime", denunciou.

Interrogada pela AFP, a Guarda Costeira líbia se negou a fazer comentários sobre o assunto.

Para o Ministério italiano do Interior trata-se de uma notícia falsa.

"Desafio a todas as pessoas a encontrarem uma mensagem minha em que peço para abandonar as pessoas no mar. Meu objetivo é salvar a todos, alimentar a todos, mas evitar que cheguem à Itália. O objetivo é acabar com o tráfico de seres humanos, que é a única forma de reduzir o número de mortos", declarou Salvini em entrevista coletiva após enviar um tuíte escrito "portas fechadas, coração aberto".