Migrantes bloqueados no Mediterrâneo desembarcam em Malta

Por Matthew XUEREB
1 / 2
Migrantes a bordo do barco da Sea Watch, no Mediterrâneo, em 9 de janeiro de 2019

Os 49 migrantes bloqueados no Mediterrâneo, alguns há mais de duas semanas, em duas embarcações de ONGs alemãs, desembarcaram nesta quarta-feira em Malta, após um acordo para distribuí-los em oito países europeus e repatriar outros.

"Acabou!". No barco da ONG Sea-Watch, os 32 migrantes que foram resgatados em 22 de dezembro gritaram, choraram, cantaram e beijaram os socorristas quando souberam que finalmente poderiam pisar em terra firme, de acordo com um vídeo divulgado pela ONG.

Todos embarcaram em lanchas da Marinha de Malta, bem como outros 17 migrantes resgatados em 29 de dezembro pela ONG Sea-Eye.

Os dois barcos de ONGs alemãs foram autorizados há uma semana a se proteger do mau tempo nas águas de Malta, mas o acordo para desembarque demorou para ser alcançado depois que Malta exigiu que fossem incluídos outros 249 imigrantes resgatados e acolhidos nos últimos dias no país.

"Um acordo ad hoc foi alcançado (...), 220 pessoas serão distribuídas em outros países membros ou serão devolvidas aos seus países de origem", anunciou Joseph Muscat em coletiva de imprensa em Malta.

Os migrantes serão divididos entre Alemanha, França, Portugal, Irlanda, Romênia, Luxemburgo, Holanda e Itália, disse Muscat.

Paralelamente, 44 bengaleses do grupo de migrantes que já estavam em Malta serão repatriados porque as autoridades acreditam que não têm motivos para pedir asilo. No final, 78 migrantes do primeiro grupo permanecerão em Malta, o menor país da UE com 450.000 habitantes.

"Queríamos transmitir uma forte mensagem política de que o fardo deve ser compartilhado porque é um problema europeu, não é um discurso contra as ONGs, queremos apenas que todos sigam as regras", explicou Muscat, do Partido Trabalhista.

- "Sinal de fraqueza" -

"Cada hora que passou sem solução, não foi uma hora de orgulho", acrescentou o primeiro-ministro maltês, que lamentou que a solução envolva apenas alguns países e não a UE como um todo.

Malta tem sido firme em exigir uma solução "abrangente e global", porque teme um aumento das chegadas às suas águas.

"Malta nunca fechou suas portas e ainda é um porto seguro. Nós apenas queremos que todos respeitem as normas internacionais que não criamos", disse Joseph Muscat.

"É da nossa natureza ajudar as pessoas em perigo, mas, como primeiro-ministro, não posso evitar a responsabilidade de preservar nossa segurança e interesses nacionais", ressaltou Muscat, repetindo que o acordo alcançado nas últimas horas não constitui um "precedente".

De acordo com o comissário europeu para as Migrações, Dimitris Avramopoulos, "essas últimas semanas não foram as melhores para a Europa. Manter 49 pessoas a bordo de barcos por quase três semanas, não é isso que a União Europeia representa".

Avramopoulos pediu "a implementação de mecanismos duradouros" para evitar futuras crises, lembrando acordos anteriores para distribuir migrantes resgatados por outras ONGs ou até mesmo pela guarda costeira italiana.

Na Itália, os quinze migrantes que o chefe de Governo Giuseppe Conte concordou em receber provocaram um debate agitado, a ponto de os responsáveis da maioria terem que se reunir de urgência à noite. O ministro do Interior e homem forte da Itália, Matteo Salvini, é inflexivelmente contrário a qualquer chegada de imigrantes.