Migrantes centro-americanos gastam US$ 2,2 bilhões ao ano em viagens aos EUA

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Migrantes de El Salvador, Guatemala e Honduras "gastaram 2,2 bilhões de dólares ao ano" para ir de forma regular e irregular aos Estados Unidos nos últimos cinco anos, a maior parte em pagamentos a traficantes, destaca um relatório divulgado nesta terça-feira (23).

"Em vista do custo elevado da contratação de um traficante ou coiote, calcula-se que deste total, as pessoas migrantes gastaram ao redor de 1,7 bilhão de dólares ao ano em deslocamentos irregulares com um traficante", destaca um informe sobre a migração na América Central, apresentado pelo Instituto de Política Migratória (MPI), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

A pobreza, a insegurança alimentar, os choques climáticos e a violência empurraram 378.000 centro-americanos, em média, a migrar para os Estados Unidos nos últimos cinco anos, destaca.

Ainda segundo o informe, 55% dos migrantes contrataram traficantes, conhecidos como "coiotes", a um custo médio de 7.500 dólares por pessoa (por canais regulares para migrar, teriam pago 4.500 dólares). Oitenta e nove por cento deles querem ir para os Estados Unidos.

O relatório foi elaborado com dados compilados em consultas a milhares de famílias, tanto de forma presencial quanto remota, nos três países centro-americanos.

Em apenas dois anos, o percentual de pessoas que consideram migrar disparou, passando de 8% em 2019 para 43% em 2021, mas apenas 3% deles fizeram planos concretos por medo "da separação familiar e dos altos custos".

- As razões para migrar -

Entre as principais causas para a migração, o relatório cita a insegurança alimentar, a crise climática e atualmente a pandemia de covid-19.

Muitos sentem "que não têm mais remédio do que partir para o norte", afirmou nesta terça-feira o diretor-executivo do PMA, David Beasley.

O informe enumera várias recomendações para solucionar a crise migratória, como fomentar programas nacionais de proteção social que aliviem a pobreza e erradiquem a fome e iniciativas de desenvolvimento, como por exemplo ajudando pequenos agricultores ou dando formação a jovens e mulheres.

Defende, ainda, a criação de incentivos para que a diáspora invista em obras públicas e pede que os países de destino, como os Estados Unidos, apliquem políticas que ampliem as vias legais de migração aos centro-americanos.

Washington parte de que "os fluxos migratórios não são só do sul para o norte, mas também há internamente, entre países, de tal forma que permitir o acesso ao trabalho dentro das Américas é uma solução", por exemplo, dando mais vistos "para gerar alguma ordem", declarou nesta terça-feira Ricardo Zúñiga, secretário-adjunto para assuntos das Américas do Departamento de Estado americano.

Os três países centro-americanos, altamente dependentes de remessas enviadas por seus cidadãos no exterior, defendem em uníssono o direito à migração.

Durante a apresentação do relatório, a chanceler salvadorenha, Alexandra Hill, defendeu o direito à migração "sem que seja forçada" e seu colega hondurenho, Lisandro Rosales, acrescentou que a tragédia sobrevem quando se realiza "por razões adversas".

O fenômeno deve ser abordado "através da perspectiva do direito humano de migrar", coincidiu o contraparte guatemalteco, Pedro Brolo.

"Levamos anos implementando políticas migratórias de contenção da migração, que têm se provado insuficientes", afirmou Luis Almagro, secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), que apoia o informe, juntamente com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

"Chegou a hora de uma estratégia que vá além da execução de ações unilaterais", reforça Andrew Selee, presidente do MPI.

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