Migrantes enviados a Martha's Vineyard são trasladados para base militar

O grupo de 50 migrantes enviados à ilha exclusiva de  Martha's Vineyard, no nordeste dos Estados Unidos, no âmbito de uma batalha política sobre a imigração, será recebido temporariamente em uma base militar próxima, anunciou o governador de Massachusetts nesta sexta-feira (16).

Os migrantes, a maioria venezuelanos e entre os quais há crianças, chegaram na quarta-feira a Martha's Vineyard, um reduto democrata e local tradicional de férias da elite política do país. Eles tinham sido levados em aviões do Texas, mas em voos que o governador republicano da Flórida, Ron DeSantis, disse ter organizado.

Apesar da mobilização local para ajudar os recém-chegados, a ilha "não está equipada para proporcionar um alojamento permanente e funcionários estaduais puseram em marcha em plano para uma resposta humanitária integral", destacou em nota o gabinete do governador de Massachusetts, Charlie Baker.

Nesta sexta, as autoridades ofereceram aos migrantes "enviá-los a um novo refúgio temporário" na Base Conjunta de Cape Cod. "As famílias não serão separadas", anunciou o comunicado, destacando que esta base serviu anteriormente como refúgio de emergência e que teriam acesso a atendimento e serviços legais.

Antes de serem trasladados a Cape Cod, alguns migrantes disseram que não sabiam que seriam enviados para a ilha.

- "Tráfico de pessoas" -

O democrata Julian Cyr, senador estadual por Massachusetts, pediu a abertura de uma investigação.

"Ajuste-se ou não à definição legal de tráfico de pessoas, ajusta-se à definição moral de tráfico de pessoas. E acho que realmente devemos analisar isso. Espero que o Departamento de Justiça esteja investigando este problema", disse Cyr à televisão local.

O traslado de imigrantes para redutos democratas em todo o país se tornou uma arma política para muitos da direita americana, que aproveitam para denunciar a política do presidente Joe Biden, a quem acusam de ter transformado a fronteira com o México em uma peneira, e tentar pôr a imigração no centro do debate com vistas às eleições legislativas de 8 de novembro.

Na manhã de quinta-feira, dois ônibus com migrantes chegaram a Washington, perto da residência da vice-presidente, Kamala Harris, a quem Biden encarregou de cuidar do explosivo tema da imigração.

Foram enviados pelo governador republicano Greg Abbott, em campanha pela reeleição no Texas, um estado do sul muito afetado pela onda migratória proveniente de países centro-americanos.

A Casa Branca voltou a criticar nesta sexta estes métodos, denunciando uma  "encenação política premeditada e cruel".

"São crianças. São mães. Fugiam do comunismo. E o que fizeram os governadores DeSantis e Abbott? Usaram-nas como peões, tratando-as como gado", disse a porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre.

"Este é o tipo de tática que vemos nos contrabandistas em locais como México e Guatemala. E para que? Uma sessão de fotos?", questionou.

Ron DeSantis ironizou o traslado. "Com certeza já os fizeram sair (da ilha) de ônibus (...) Disseram, 'Queremos todos, ninguém é ilegal' e (os migrantes) foram embora de Martha's Vineyard em 48 horas", disparou.

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