Migrantes são foco de conferência internacional sobre a aids no México

Por Sofia MISELEM
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(Arquivo) Enfermeiro tira sangue de paciente para teste do HIV na Clínica Condesa, três dias antes da conferência internacional, na Cidade do México

A propagação do vírus HIV como um aspecto sério da crise migratória da América Latina - seja pelos venezuelanos forçados a emigrar para obter medicamentos ou pelos migrantes da América Central inconscientes de que carregam o vírus - será o foco da conferência mundial da aids, que teve início neste domingo, na Cidade do México.

Cerca de 6.000 cientistas, físicos, ativistas e oficiais do governo irão aprender sobre os mais recentes tratamentos e pesquisas, e discutir os custos humanitários e sociais da aids e do HIV.

No momento, não há programa que foque nos migrantes da América Latina infectados pelo vírus HIV, afirmou Brenda Crabtree, médica mexicana e especialista em aids, que é também co-presidente da conferência.

Antes da conferência, os organizadores levaram os participantes que chegaram cedo à uma clínica em Iztapalapa, um dos bairros mais pobres e perigosos da Cidade do México.

A Clínica Condesa acolhe os pacientes que chegam de qualquer país, sem questionar seu status legal, e oferece atendimento gratuito.

Enquanto algumas partes do sistema de saúde pública do México exigem que os documentos dos pacientes precisam estar em ordem, a clínica Condesa preza por ser um "santuário" para os migrantes, disse Crabtree.

Na Venezuela, cerca de 120.000 pessoas vivem com o HIV/aids e precisam de medicamentos retrovirais, mas aproximadamente 80.000 estão atualmente sem acesso a esses medicamentos, acrescentou.

Por volta de um em cada quatro pacientes estrangeiros na Condesa é venezuelano; 16 por cento são colombianos; e outros 16 por cento vêm de países da América Central, segundo o diretor da clínica, Florentino Badial.

Há também um crescimento na quantidade de pacientes haitianos e cubanos.

A maioria dos venezuelanos e colombianos chegaram legalmente no México em busca de trabalho; a maior parte dos que vêm da América Central não possuem documentos.

Os centro-americanos, geralmente menos instruídos, "têm medo", disse Luis Manuel Arellano, funcionário da clínica. "Mas nós os tratamos como trataríamos qualquer mexicano".

Quando uma caravana levou milhares de migrantes para o México em novembro, a clínica ofereceu testes gratuitos e encontrou seis casos de HIV não-detectados, os quais foram então tratados.

"Os migrantes não estão abandonados", disse Arellano. "Nós cuidamos da saúde deles."

Carlos Gamez, cubano de 32 anos, chegou no México em 2017, tendo sido recentemente diagnosticado com HIV. Ele encontrou os medicamentos que precisava na clínica.

"Se eu tivesse que pagar, não seria possível", afirmou.