Migrantes sofrem 'abusos' na fronteira entre EUA e México, aponta HRW

Os migrantes que entram em território mexicano pela fronteira sul sofrem "abusos" pelas medidas adotadas pelo México e por Washington para impedir sua chegada aos Estados Unidos, denunciou a Human Rights Watch nesta segunda-feira (6), coincidindo com o início da Cúpula das Américas.

Os pedidos de status de refugiados e as detenções de migrantes no México "têm aumentado drasticamente" na medida em que o presidente americano, Joe Biden, segue restringindo o acesso ao asilo na fronteira sul", alertou a ONG em um relatório.

Segundo a HRW, "aqueles que cruzam a fronteira sul do México fugindo da violência e da perseguição tem dificuldades para obter proteção, enfrentam graves abusos e atrasos".

"Muitas vezes se veem obrigados a esperar durante meses em condições desumanas perto da fronteira sul do México, enquanto batalham para encontrar trabalho ou moradia".

Para Tyler Mattiace, pesquisador para as Américas da Human Rights Watch, "a delegação da aplicação migratória americana ao México deu lugar a graves abusos e obrigou centenas de milhares de pessoas a esperar, em condições assustadoras, para buscar proteção".

Em 2021, o México deteve 307.569 migrantes e 130.863 pessoas solicitaram o status de refugiado, um recorde para ambos, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

Biden "continuou com muitas das políticas abusivas contra a imigração" de seu antecessor, Donald Trump, "como pressionar o México para que impeça os migrantes de chegar aos Estados Unidos" e bloquear o acesso ao asilo na fronteira através de políticas como o Título 42, uma norma sanitária que Biden tentou rescindir, mas foi impedido por um juiz, e o "Fique no México", denunciou a ONG.

O chefe de Estado mexicano, Andrés Manuel López Obrador, enviou quase 30.000 soldados e agentes do Instituto Nacional de Migração (INM) para deter os imigrantes irregulares no país, acrescentou.

O Escritório de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos estima um total de aproximadamente 7.500 detenções de imigrantes não autorizados por dia ao longo da divisa com o México, um número quase cinco vezes maior que a média entre os anos de 2014 e 2019.

E milhares de pessoas continuam chegando a essa fronteira: hoje, uma caravana que se reuniu no sul do México partiu rumo ao norte.

Biden espera alcançar uma declaração regional sobre migração durante a Cúpula das Américas, que acontece esta semana em Los Angeles, um tema essencial a poucos meses das eleições de meio mandato de novembro.

Mas os líderes de países-chave para discutir a crise migratória, como México, Honduras e Guatemala, se recusaram a participar da reunião regional.

A maioria dos migrantes que entra pela fronteira sul do México vem da América Central e do Caribe, e quase metade dos que pediram asilo eram haitianos, informou a Human Rights Watch. A organização apontou também que a maior parte entra pelas redondezas da cidade de Tapachula, no estado de Chiapas.

Segundo entrevistas e documentos da ONG citados no relatório, a maioria afirma fugir da violência ou da perseguição em seus países.

Muitos dizem escapar de ameaças de morte, extorsão e do recrutamento forçado por parte de gangues e cartéis de drogas em Honduras, Guatemala e El Salvador. Fogem também da perseguição política e dos abusos generalizados contra os direitos humanos em Cuba, Nicarágua e Venezuela.

Ao chegar ao México, temem que os agentes do INM os deportem. Alguns afirmam que lhes foi negada proteção, que foram dissuadidos de solicitar o status de refugiados e pressionados a aceitar o retorno voluntário.

"Pensei que nos ajudariam quando chegássemos ao México, mas [...] nos rejeitaram", declarou um homem que afirma fugir do recrutamento forçado de gangues em Honduras, citado no relatório.

A autoridade responsável pelos refugiados no México, a Comissão Mexicana de Atenção ao Refugiado (Comar, independente do INM) recebeu em 2021 mais de 130.000 pedidos, mas só processou 38.000.

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