Milão relata 50% dos viajantes de voos da China com Covid, e Itália passa a exigir teste

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Itália anunciou nesta quarta-feira (28) que passará a exigir a realização de teste para a Covid-19 em todos os passageiros provenientes da China, país que enfrenta uma alta explosiva no número de contaminados. A decisão foi tomada após autoridades em Milão relatarem que quase metade dos viajantes em dois voos que partiram do gigante asiático estavam contaminados.

De acordo com o Ministério da Saúde italiano, especialistas estão analisando os testes feitos em Milão para identificar se há novas variantes do vírus. Se uma nova cepa for encontrada, as autoridades podem impor restrições ainda mais rígidas aos viajantes que chegam da China. As informações são da agência de notícia Bloomberg.

Em meio ao relaxamento da estrita política para a contenção da pandemia conhecida como Covid zero, a China trabalha para conter uma alta no número de casos. Farmácias sofrem com a falta de remédios e médicos afirmam que hospitais estão sobrecarregados, com até seis vezes mais pacientes que o normal.

Paralelamente, a Comissão Nacional de Saúde da China anunciou no domingo (25) que não divulgará mais dados diários de casos e mortes por Covid, como fazia desde o início de 2020. Segundo a comissão, o rastreamento de novos casos se tornara impossível desde a flexibilização das medidas de controle.

Estava prevista para esta quarta nova reunião de integrantes do governo italiano com autoridades da saúde, incluindo o ministro da pasta, Orazio Schillaci, que deveria apresentar novas informações sobre os testes feitos em Milão.

A maioria dos passageiros contaminados não apresentava sintomas. Mas a mídia italiana tem relatado grande preocupação das autoridades de saúde quanto a possibilidade da disseminação de uma nova variante.

A Itália foi o primeiro país europeu a ser duramente atingido pela Covid, no início de 2020. Mais de 183 mil pessoas morreram na Itália em decorrência da doença até esta quarta, segundo dados compilados pela Universidade Johns Hopkins.

O caso repercute em outros países europeus. Na Alemanha, o Ministério da Saúde, Sebastian Guelde, afirmou que as autoridades de saúde acompanham o caso de perto. "Não temos indicação de que uma mutação mais perigosa tenha se desenvolvido na China, o que resultaria em restrições de viagem", disse.

Nesta terça (27), em mais uma medida contundente para afrouxar as restrições impostas para conter a Covid, a China anunciou a retomada da emissão de passaportes a cidadãos que queiram viajar a turismo para o exterior. A decisão pode enviar milhões de turistas chineses para outras nações asiáticas e europeias durante o Ano-Novo Lunar, que começa no próximo dia 22 -o feriado, geralmente, é o mais movimentado do país; neste ano, por exemplo, a China registrou 1,2 bilhão de viagens durante o festival.

A mudança no curso da política de Covid zero na China que incluía práticas como confinamentos em larga escala e internação sistemática de pessoas contaminadas vem na esteira de uma série de mobilizações populares realizadas nas principais cidades e universidades do país no final de novembro.