Milícia cobra 'taxa do porco' em favela da Zona Oeste do Rio

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Milicianos que controlam a Favela do Rola, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, instituíram um novo tipo de cobrança que atinge parte dos 30 mil moradores da comunidade. Depois de explorar negócios irregulares como venda de sinal clandestino de TV a cabo e a cobrança de taxas de segurança do comércio, os paramilitares passaram a exigir uma valor semanal de R$ 5 por cada porco criado na favela.

Caso o proprietário do animal fique duas semanas sem quitar a taxa do porco, como a cobrança foi apelidada por moradores, os paramilitares se apoderam do suíno para fazer churrasco. A maior parte dos animais é criada numa área aberta, conhecida como Comlurb, que fica nas proximidades de terrenos baldios. O caso foi revelado, nesta quinta-feira, no RJTV.

Durante a reportagem, um morador contou que os milicianos chegam a obrigar que os donos dos bichos comprem ração fornecida em pontos explorados pela milícia. "A gente não pode tá tendo essa criação, e eles querendo esse valor desse dinheiro, de R$5 de cada. Eles pegam, e se a gente não dá, ficam ameaçando. E tem que comprar essa coisa de ração com eles", disse um morador que não foi identificado na matéria. A Polícia Civil informou que desconhecia o novo tipo de cobrança estipulado pela milícia na Favela da Rola, mas confirmou que o caso será investigado.

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais ( Draco-IE) já tem um inquérito em andamento que investiga a milícia na comunidade. Em fevereiro, agentes da especializada prenderam Ronaldo Costa Marinho, o Secretário. Ex-traficante, ele era suspeito de comandar os negócios da milícia no local. Segundo a polícia, após a prisão de Secretário, um homem conhecido pelo apelido de Pepito teria assumido o comando do grupo de paramilitares que domina, entre outras comunidades de Santa Cruz, as Favelas do Rola e de Antares.

Investigação da Polícia Civil revela que a milícia conquistou as duas favelas após ter expulsado , no fim de 2018, bandidos de uma facção criminosa. De acordo com um levantamento feito pelo Disque-Denúncia (2253-1177), desde 2019, foram recebidas 119 denúncias citando a presença de milicianos na Favela da Rola. A maior parte mencionava a cobrança de taxas estipuladas pelos paramilitares.

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