Milícia comandada por Zinho teria incendiado postos para pressionar comércio a pagar taxas irregulares

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RIO— Informações preliminares que estão sendo investigadas pela Polícia Civil revelam que homens da milícia comandada por Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho, teriam sido os responsáveis por dois ataques a postos de gasolina que tiveram instalações incendidas, nesta quinta-feira, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.

As ações teriam sido determinadas por Zinho para forçar que comerciantes da região passem a pagar taxas para seu bando e não para o grupo paramilitar comandado por Danilo Dias Lima, o Danilo Tandera.

De acordo com investigações que estão em andamento, o grupo lderado por Tandera havia entrado na região nas última semanas, mas recentemente, milicianos do bando de Zinho teriam retomado o controle da área, localizada às margens da Avenida Brasil, onde estão instalados, inclusive, os dois postos de gasolina incendiados. Horas antes dos crimes, cometidos por homens armados e encapuzados, mensagens circularam nas redes sociais informando que moradores deveriam evitar ficar nas ruas por conta de ações que seriam executadas por milicianos.

Já se sabe que os dois estabelecimentos, que ficam na pista sentido Zona Oeste e estão separados um do outro por uma distância aproximada de 500 metros, foram atacados, entre 2h e 3 h. No primeiro posto, os bandidos expulsaram funcionários e atearam fogo no local. As chamas destruíram duas das quatro bombas de gasolina, além de parte do teto e ainda uma espécie de escritório. O estrago só não foi maior porque uma válvula de segurança isolou automaticamente os tanques de gás evitando uma explosão. No segundo estabelecimento, os milicianos atearam fogo apenas em uma loja de conveniência.

Nesta quinta-feira, funcionários dos dois postos passaram o dia limpando os estabelecimentos e fazendo um levantamento dos estragos. Ninguém quis comentar a ação dos bandidos. Um vídeo onde homens do bando comando por Luiz Anda Silva Braga, o Zinho, aparecem armados de fuzis chamando para uma guerra a quadrilha rival de Danilo Dias Lima, o Danilo Tandera, também circulou, nesta quinta-feira, nas redes sociais.

"Só fuzileiro naval. É o bonde do Zinho. É o bonde pesadão. Caçador de Tandera. Vamos que vamos atrás de tu", afirmam os criminosos nas imagens. As postagens estão sendo investigadas pela Polícia Civil.

Ninguém ficou ferido nas duas ações. Informações preliminares recebidas pela polícia dão conta de que os bandidos fugiram sem levar dinheiro ou outro objeto de valor. O delegado Adilson Palácio, da 36ª DP (Santa Cruz), disse que a polícia vai apurar quem são os executores e os mandantes da duas ações criminosas.

— Estamos levantando todas as informações e estamos atentos a todas as possibilidades. Foram instaurados inquéritos pela 36ª DP para apurar a autoria dos crimes e sues mandantes — disse o delegado

A Polícia Civil fez uma perícia nos dois postos. De acordo com a corporação, homens do Departamento Geral de Polícia Especializada e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Orgânicas e de Inquéritos Especiais (Draco-IE) estão apoiando o trabalho de investigação que está sendo feito pela 36ª DP.

A disputa entre milícias rivais se acentuou no dia 16 de setembro, quando homens do bando de Tandera queimaram seis vans em Paciência, Santa Cruz e Campo Grande, áreas que até então eram dominadas pela milícia de Zinho. O episódio causou a morte de seis pessoas num espaço de seis dias. No último sábado, milicianos da quadrilha de Luiz Antonio da Silva Braga foram vistos circulando armados em 12 carros, no Conjunto dos Jesuítas, em Santa Cruz. No mesmo dia, as milícias rivais também se envolveram em um confronto em Seropédica, na Baixada Fluminense.

De acordo com estimativas da polícia, negócios irregulares explorados pela milícia que chegam a movimentar R$ 10 milhões por mês, estão no centro da disputa dos dois grupos paramilitares. Só com a cobrança de taxas impostas aos motoristas de vans, os milicianos arrecadam uma quantia estimada em R$ 2 milhões.

Zinho e Tandera faziam parte de uma mesma milícia, sendo que o segundo era o encarregado de explorar os negócios da quadrilha em bairros de Nova Iguaçu, Seropédica e Itaguaí, na Baixada Fluminense. No fim do ano passado, houve um racha e as quadrilhas passaram a disputar território. Os dois milicianos são considerados foragidos e estão com as respectivas prisões preventivas decretadas pela Justiça.

Procurada para falar sobre a notícia de que moradores usaram redes sociais para divulgar que a milicia realizaria ataques na região, um dia antes das ações, a Polícia Civil emitiu uma nota sobre o caso. Abaixo, a íntegra do documento.

"A Polícia Civil realizou em apenas 12 meses mais de 130 operações contra as milícias, dando prejuízo de cerca de R$ 2 bilhões nas organizações criminosas, e prendeu 918 milicianos, entre eles o criminoso conhecido como Macaquinho e o chefe da maior das milícias, o Ecko. Nesta quinta-feira, inclusive, a Força-Tarefa prendeu o miliciano conhecido como Ratão, que chefiava a quadrilha de Rio das Pedras. Quanto às imagens de supostos milicianos veiculadas em redes sociais, já estão sendo investigadas pela Força-Tarefa."

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