Milícia da Baixada cobra até pela cesta básica que moradores da região compram

Rafael Nascimento de Souza
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Não bastasse cobrar pelas diversas taxas em Itaguaí e Seropédica, cidades da Região Metropolitana e Baixada Fluminense, respectivamente, a maior milícia do estado chefiada pelo Wellington da Silva Braga, o Ecko, agora interfere no que a população coloca na mesa. No começo da tarde desta quinta-feira, DIA 22, investigadores da força-tarefa da Polícia Civil — criada pela pasta para combater o crime organizado na Baixada e permitir uma "eleição livre" na região — descobriram que moradores das duas regiões são obrigados a comprar cestas básicas do grupo paramilitar. Um depósito cheio de alimentos, muitos deles já vencidos, foi estourado na Estrada da Palhada, entre Nova Iguaçu e Seropédica.

Segundo a Polícia Civil, os residententes nas áreas tinham que comprar os alimentos de um único fornecedor. As cestas básicas variavam entre R$ 110 e R$ 265. O proprietário do local, que não soube explicar a procedência do material, foi detido e será levado para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, para prestar esclarecimentos.

No mesmo local, os agentes encontraram carnes que eram vendidas como “kit churrasco” para a população. Para atrair os moradores, os milicianos faziam a divulgação pela internet. Todo o dinheiro, de acordo com a Polícia Civil, era utilizado pela narcomilícia de Ecko para aumentar o seu poderio bélico e financeiro.

Asfixia na milícia

Policiais civis fazem desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira mais uma operação para combater a milícia chefiada por Ecko. Investigadores estão nos municípios de Seropédica e Itaguaí. O principal matador da milícia de Itaguaí foi preso: Gil Jorge Santos de Aquino Júnior, conhecido como “Da Cova”.

Segundo as investigações, o narcomiliciano é o braço direito do também paramilitar Danilo Dias Lima, o Tandera, que chefia o grupo criminoso que atua em Nova Iguaçu. “Da Cova” ou “Cova Rasa”, de acordo com a Polícia Civil atua no bairro de Chaperó, em Itaguaí. Júnior teria executado pelo menos 12 pessoas. Para a Civil, “Da Cova” reportava a Ecko todas as ações que fazia.

— Essa prisão é muito importante porque ele é o líder da milícia de Chaperó e também o principal responsáveis pelas execuções. Ele ceifava a vida de desafetos e das pessoas que a milícia entende que tem que pagar com a vida por alguma razão. Essa é uma prisão importante feita pela Draco e pelo DGPE. Ele tem esse apelido por ser extremamente violento — diz o delegado Felipe Curi, titular do Departamento Geral de Polícia Especializada.

Além de cumprir mandados de prisão, os agentes estão em residências irregulares vendidas pela milícia, em comércios irregulares, como: farmácias, lojas de roupas, restaurantes e também em estabelecimentos que estariam lavando dinheiro para o grupo de Ecko.

— A ação de hoje é continuação de uma série de ações contra a milícia. Hoje, as especializadas estão em Seropédica e Itaguaí para cumprir mandados de prisão e asfixiar o braço financeiro desse grupo paramilitar que atua naquela região. Estamos coibindo e desarticulando centrais de TV a cabo, locais que vendem gás, água e cestas básicas irregulares, comércios que lavam dinheiro e atuam de alguma forma no fluxo financeiro. A DPMA está em areais e ocupações irregulares que os milicianos atuam. A DRCPIM está em comércios piratas. São uma série de ações hoje. Todas as especializadas estão agindo para interromper o braço financeiro da milícia.