Milícia e trafico disputam negócios de R$ 1,5 milhão em oito comunidades do Rio

Marcos Nunes
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Homens de duas milícias e traficantes de uma facção criminosa estão por trás de uma guerra que atinge milhares de moradores de oito comunidades, localizadas nas zonas Norte e Oeste do Rio. O objeto de desejo dos bandidos, de acordo com uma investigação da Polícia Civil, é a exploração de negócios ilícitos, entre eles a cobrança de taxas de segurança e a venda de sinal clandestino de TV a cabo. A estimativa é que a arrecadação semanal com as cobranças gire em torno de R$ 1, 5 milhão.

Nesta quarta-feira, dia 3, 300 policiais militares de cinco batalhões realizaram uma operação para tentar acabar com a disputa. Houve troca de tiros e dez pessoas foram mortas; outras seis ficaram feridas. A PM apreendeu na ação cinco fuzis, uma submetralhadora, quatro pistolas, rádios de comunicação e drogas.

A operação começou às 5h e teve como alvo os Morros da Caixa D'Água, Saçu e Dezoito, em Quintino, o Morro do Urubu, em Pilares, a Favela do Flexal, no Engenho da Rainha, as Favelas do Chacrinha e Bateau Mouche e o Morro da Barão, na Praça Seca.

A maior parte das mortes ocorreu em comunidades dominadas pelo tráfico, onde houve incursões de policiais do Batalhão de Operações Especiais e do Batalhão de Choque. No Saçu, que dá acesso aos vizinhos Caixa D'Água e Dezoito, seis homens foram baleados. Eles foram levados para o Hospital Salgado Filho, no Méier, mas não resistiram aos ferimentos.

Outros dois foram mortos na Caixa D'Água. As três comunidades de Quintino havia sido tomadas por traficantes e foi alvo de um ataque de milicianos, na última quinta-feira. Na ocasião, quatro deles foram presos pela PM quando tentavam deixar a Caixa D'água, após uma tentativa de invasão frustrada. As outras mortes teriam ocorrido na Favela do Flexal.

Nenhum dos mortos teve a identificação revelada pela polícia. Dos seis feridos, quatro foram liberados do Salgado Filho e autuados por associação para o tráfico, na central de flagrantes da 21ª DP (Bonsucesso). Outros dois permanecem internados. De acordo com a Polícia Militar, a operação desta quarta-feira contou com policiais do 9º BPM (Rocha Miranda), do 18º BPM (Jacarepaguá), do 3º BPM (Méier), além de homens do Bope e do Batalhão de Choque.

— O objetivo principal foi intervir na guerra da Praça Seca. Fizemos a operação que contou com um grande efetivo— disse o major Ivan Blaz, porta-voz da Polícia Militar.

Uma desavença entre dois milicianos pode ter sido o estopim que deu início a guerra travada nas oito comunidades, principalmente nas que são localizadas na Praça Seca e em Quintino. Chefe da maior milícia do estado, Wellington da Silva Braga, o Ecko, se desentendeu com Danilo Dias Lima, o Danilo Tandera, até então considerado o seu braço direito no grupo paramilitar. Segundo a polícia, o ex-homem de confiança de Ecko teria se recusado, em dezembro último, a devolver 36 fuzis ao seu então chefe.

Em represália Ecko, teria decidido cortar o apoio de armas e homens aos milicianos da Praça Seca, que estavam sob o comando de Edmílson Gomes Menezes, o Macaquinho, principal aliado de Tandera.

Para se aproveitar do racha, traficantes de uma facção criminosa atacaram e invadiram, no fim de janeiro, os Morros do Dezoito, Caixa D'Água e Saçu, que eram controlados por Macaquinho. Enfraquecida, a quadrilha que já não conta com o apoio de Ecko, não conseguiu recuperar o território. Segundo a polícia, mesmo assim, Edmílson Menezes ainda controla as Favelas da Chacrinha, Bateau Mouche e o Morro da Barão.

No entanto, a guerra pode se estender para a Baixada Fluminense. É que Tandera continua explorando os negócios da milícia em Bairros de Nova Iguaçu como Cabuçu e o Conjunto Dom Bosco, ambas localizadas às margens da Avenida Abílio Augusto Távora.

A polícia ainda não tem informações se Ecko pretende invadir as comunidades que estão sob domínio de seu ex-aliado na Baixada Fluminense. Wellington da Silva Braga, Danilo Tandera e Macaquinho estão com a prisão decretada pela Justiça e são considerados foragidos. O Disque-Denúncia ( 2253-1177)oferece recompensa de R$ 10mil por informações que levem até a prisão de Ecko.