Milícias pró-Irã reagem a bombardeios dos EUA atacando uma de suas bases na Síria

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Milícias pró-Irã lançaram obuses na noite desta segunda-feira (28) contra uma base americana no leste da Síria, e a coalizão internacional antijihadista respondeu com disparos, segundo uma ONG, após os bombardeios dos Estados Unidos contra facções alinhadas a Teerã no Iraque e na Síria.

Na madrugada desta segunda, os Estados Unidos realizaram bombardeios contra estas milícias em resposta aos ataques lançados nos últimos meses contra seus interesses no Iraque, atribuídos a facções fiéis a Teerã, que prometeram vingança.

A escalada coincide com os esforços para que os Estados Unidos voltem ao acordo nuclear com o Irã, que oferece a Teerã um alívio das sanções em troca de seu compromisso de não desenvolver armas nucleares e reduzir drasticamente seu programa nuclear.

Na noite desta segunda, milícias pró-Irã lançaram vários obuses contra uma base militar americana situada no campo petrolífero de Al Omar, perto de Deir Ezzor, no leste da Síria, provocando danos materiais, mas não vítimas, informou o Observatório Sírios para os Direitos Humanos (OSDH).

A agência oficial síria Sana reportou sobre disparos de "mísseis" contra "a base militar das forças de ocupação americanas no campo petrolífero de Al Omar", mas sem informar sua origem.

"Por volta das 19h44, hora local [13h44 de Brasília], as forças americanas na Sìria foram atacadas por vários foguetes. Não há feridos e os danos estão sendo avaliados", expressou no Twitter o porta-voz da coalizão, Wayne Marotto.

Após estes bombardeios, aviões americanos e a coalizão internacional antijihadista liderada por Washington sobrevoaram a região, informou a ONG, que conta com uma ampla rede de informantes na Síria, um país onde várias milícias estrangeiras - inclusive iraquianas - combatem em apoio ao regime de Bashar al Assad.

Em resposta, "a coalizão internacional efetuou disparos de artilharia pesada" contra a cidade de Mayadin, nas mãos das milícias pró-Irã em Deir Ezzor, informou à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

"As forças americanas [...] agiram em legítima defesa e fizeram tiros de artilharia [...] contra as posições de onde os foguetes tinham sido lançados", confirmou Wayne Marotto em outro tuíte.

- Mensagem "forte" -

Em visita a Roma, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, tinha declarado anteriormente nesta segunda que os bombardeios noturnos lançados pelos Estados Unidos contra as milícias pró-Irã no Iraque e na Síria constituem uma mensagem "forte" para prevenir mais ataques contra os interesses americanos.

Em Bagdá, o primeiro-ministro iraquiano, Mustafa al-Kazimi, denunciou em um comunicado a "violação flagrante da soberania" do seu país, enquanto pediu para "evitar a escalada".

Além disso, reiterou seu repúdio a que o Iraque seja usado como "território de acerto de contas".

O governo sírio, por sua vez, condenou "uma agressão americana" e ressaltou que se tratava de uma "violação flagrante" da soberania dos dois países, segundo a Sana.

Na madrugada desta segunda e por ordem do presidente americano, Joe Biden, a aviação alvejou centros operacionais e depósitos de armas em duas localidades da Síria e uma do Iraque, instalações usadas pelas milícias que têm o apoio do Irã, anunciou o Pentágono.

A operação americana é a segunda deste tipo contra as milícias pró-iranianas na Síria desde que Joe Biden assumiu o cargo em janeiro. Cerca de 20 combatentes morreram no primeiro ataque em fevereiro.

O Pentágono assegurou que os alvos eram "instalações" utilizadas pelas milícias envolvidas em "ataques com veículos aéreos não tripulados (UAV) contra pessoal e instalações americanos no Iraque", onde os Estados Unidos mantêm cerca de 2.500 soldados no âmbito da coalizão.

Segundo o OSDH, os bombardeios mataram sete combatentes iraquianos e destruíram um armazém e uma posição das milícias iraquianas, membros da aliança paramilitar Hashd al Shaabi, perto de Bukamal (leste da Síria).

- "Vingança" -

A Hashd al Shaabi confirmou a morte de quatro de seus membros em ataques na região de Al Qaim, no oeste do Iraque, perto da fronteira com a Síria.

Os combatentes estavam "cumprindo sua missão habitual de impedir a infiltração" de jihadistas vindos da Sìria, disse a Hashd al Shaabi em um comunicado, assegurando que "não estavam envolvidos em nenhuma atividade hostil à presença estrangeira no Iraque".

Esta poderosa coalizão é integrada há vários anos às tropas regulares do Iraque e sempre nega agir fora dos limites deste país, embora algumas de suas facções combatam - em seu próprio nome - na Síria.

"Vingaremos o sangue dos nossos mártires (...) Já dissemos que não nos calaremos diante da presença das forças de ocupação", ameaçou a Hashd em outro comunicado.

Após os ataques, o Irã acusou os Estados Unidos de "perturbar a segurança regional".

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