Milhões de anos-luz: saiba onde estão os objetos celestiais fotografados pelo James Webb

O Observatório James Webb não tem pequenos espelhos ou truques para focar com rapidez em qualquer objeto celestial. Para mostrar as impressionantes imagens divulgadas na segunda e na terça-feira, precisa se mover completamente, incluindo seu escudo solar. Como a peça tem dimensões similares às de uma quadra de tênis, trata-se de uma manobra mais difícil que parece.

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Antes de mover o telescópio, é necessário se certificar de que ele ficará sempre de costas para o Sol. Suas partes devem sempre serem mantidas em temperaturas muito baixas — ou seja, na sombra. Isso significa que ele não pode ser apontado para qualquer lugar a qualquer momento. O que o James Webb pode fazer é realizar um giro completo em seu eixo para observar objetos que estejam neste campo de visão.

A qualquer momento, o telescópio pode cobrir um espaço de aproximadamente 50 graus do hemisfério celeste contrário ao Sol. Não pode olhar para o Sol, mas também não pode ser programado para observar o sentido diametralmente oposto. Para fazer isso, seria necessário incliná-lo tanto que o escudo protetor poderia deixar passar algum raio de luz, comprometendo as temperaturas congelantes preservadas desde o lançamento do instrumento, no Natal de 2021.

Devido a todas essas limitações, o Webb pode ver apenas 40% do céu. Para estudar algum objeto fora desse campo, será preciso esperar meses ou até a metade de um ano, até que o movimento da Terra arraste o Webb para o outro extremo de sua órbita e o Sol ocupe o lado oposto.

Tais considerações influenciaram, sem dúvida, a escolha dos protagonistas de suas primeiras fotografias. Cinco das seis imagens estão localizadas no Hemisfério Sul e, portanto, são invisíveis da Europa. Apenas o Quinteto de Stephan, na constelação de Pégaso, pode ser vista do Hemisfério Norte. Ela é fácil de ser localizada em noites de verão, embora o auxílio de um bom telescópio seja necessário.

Dos cinco objetos, o mais próximo de nós é o Wasp 96b, o exoplaneta apresentado como um exemplo da capacidade do Webb: devido à variação da luminosidade em partículas atmosféricas, conseguiu constatar a presença de vapor d’água. Está a mil anos-luz de distância. Para referência, a estrela mais perto de nós é a Proxima Centauri, a quatro anos-luz de distância.

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A apenas 2 mil anos-luz de distância, podemos considerar a NGC 3132 uma vizinha próxima em nosso “bairro galático". Tecnicamente, é uma "nebulosa planetária", mas esse nome não tem nada a ver com planetas. O que parece ser um anel colorido são os restos de uma estrela que explodiu, uma bolha de gás que continua a inchar como uma enorme bolha de sabão.

Ela tem meio ano-luz de diâmetro, mas ainda está crescendo. Está na constelação de Vela. Aliás, este nome, assim como Popa e Carina (um sinônimo de quilha) são termos marítimos porque, na mitologia grega, faziam parte de uma grande constelação dedicada ao mítico navio dos Argonautas.

A impressionante Nebulosa Carina também está relativamente próxima. Está a 8 mil anos-luz de nós, o que significa que é uma grande nuvem de gás imersa, como tantas outras, na espiral da Via Láctea. Ela se estende por 300 anos-luz, então a imagem do Webb mostra apenas uma pequena parte dela.

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O Quinteto de Stephan está em outro patamar. É formado por cinco galáxias: quatro, a cerca de 300 milhões de anos-luz de distância, estão unidas por sua atração gravitacional, que as deformou e criou braços espirais de estrelas. Quando emitiram a luz fotografada pelo telescópio, os trilobitas nadavam nos oceanos da Terra e os dinossauros nem sequer haviam aparecido. A quinta galáxia, por sua vez, não pertence ao grupo. Está apenas a 40 milhões de anos-luz e, se é vista perto das outras, deve-se apenas à perspectiva.

Já a imagem do céu profundo apresentada por Biden na segunda entra em distâncias cosmológicas. Uma das galáxias — uma mancha vermelha quase imperceptível — aparece exatamente como era há 13 bilhões de anos. Isso porque está tão distante que a luz levou todo este tempo para viajar pelo espaço sideral. As galáxias mostradas como arcos de luz distorcidos pela sobreposição de uma galáxia mais próxima estão a cerca de 5 bilhões de anos-luz de distância, em Volans, ou Peixe Voador, outra constelação do Hemisfério Sul.

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