Milhões de espanhóis iniciam desconfinamento sem Madri e Barcelona

Mulher corre em Madri em 10 de maio de 2020

Novas regiões da Espanha iniciaram nesta segunda-feira seu desconfinamento, o que já é uma realidade para 70% dos espanhóis, embora Madri e Barcelona, as áreas mais atingidas pelo coronavírus, estejam atualmente excluídas.

No início da décima semana de restrições, o país conseguiu reduzir significativamente a incidência da doença: nas últimas 24 horas, foram registradas 59 mortes e 285 contágios, números não vistos há mais de dois meses, segundo dados do Ministério da Saúde.

"Estamos em uma fase de transmissão muito baixa. Graças a todos nós conseguimos isso e já estamos chegando à parte final, isso vai nos custar um pouco, mas estamos na parte final", comemorou o diretor de emergências sanitárias, Fernando Simón.

Em Madri, em sua entrevista coletiva diária, o médico indicou que os dados são "realmente bons", embora tenha pedido cautela, uma vez que os números podem estar distorcidos pelo atraso na comunicação de dados durante o fim de semana.

A região de Madri, cujo executivo regional de direita demonstrou irritação com a decisão do governo central de manter o confinamento na capital, foi a com maior número de óbitos, 16 de acordo com o último balanço, seguida pela Catalunha.

No final de semana, centenas de pessoas se manifestaram no fim de semana em vários bairros para exigir a renúncia do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Os protestos, convocados nas redes sociais e apoiados por partidos de direita, também se espalharam para outras cidades do país.

"Madri está pronta para passar a fase" e começar a desescalada do confinamento, disse nesta segunda-feira na rádio pública RNE o secretário de Saúde da região de Madri, Enrique Ruiz Escudero. "Na verdade, não entendemos a decisão de não ter passado (de fase)", disse.

O governo do socialista Pedro Sánchez avalia que Madri, a região mais afetada pela pandemia de coronavírus com um terço dos casos e mortes, ainda não garantiu que possui os meios necessários para enfrentar um eventual surto de COVID-19.

Como Madri, grande parte da região vizinha de Castilla y León e Barcelona, capital da Catalunha (nordeste), não passou para a fase 1 do desconfinamento, que permite, entre outras coisas, a abertura de terraços para bares e restaurantes e reuniões de no máximo dez pessoas.

Para limitar o impacto econômico, o governo relaxou as condições dessas áreas ainda na "fase 0" e permite que pequenas empresas atendam aos clientes sem hora marcada a partir desta segunda-feira.

"Acho coerente ir pouco a pouco, é preciso ter cautela", disse Manuel Moreno, 40 anos, trabalhador em um lar de idosos, um tipo de estabelecimento que sofreu particularmente com a pandemia.

"A economia precisa ser reativada, mas se as pessoas vissem o que passamos, não seriam tão egoístas", disse.

Novas áreas do país, como Granada e Málaga, em Andaluzia (sul), Toledo (centro) e Valência (leste) entraram nesta segunda-feira na fase 1 do desconfinamento, que metade do país adotou na segunda-feira, 11 de maio.

Atualmente, 70% dos espanhóis iniciaram o desconfinamento progressivo em três fases que o governo planeja encerrar no final de junho.

A Espanha é um dos países mais afetados pelo coronavírus, com mais de 27.600 mortes e 231.000 casos relatados, segundo o último balanço do Ministério da Saúde no domingo.