Milhares de apoiadores de Trump travam último combate por 'amor' ao presidente

Sébastien DUVAL
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Simpatizantes do presidente Donald Trump marcham em Washington, em 14 de novembro de 2020
Simpatizantes do presidente Donald Trump marcham em Washington, em 14 de novembro de 2020

Milhares de partidários de Donald Trump fizeram uma manifestação principalmente festiva em Washington, D.C., no sábado (14), exceto por alguns incidentes registrados no final, em que expressaram seu "amor" pelo presidente derrotado na eleição de 3 de novembro e denunciaram um "roubo" eleitoral, apesar do ausência de provas.

Em um mar de bandeiras americanas, bonés vermelhos e faixas denunciando o "roubo" das eleições, pelo menos 10.000 pessoas se reuniram na Praça da Liberdade, a poucos quarteirões da Casa Branca.

Em seu trajeto para o golfe, o presidente republicano, que ainda não reconheceu sua derrota na eleição para o democrata Joe Biden, uma semana após o resultado ser conhecido, viu seus apoiadores enquanto passava em sua limusine blindada.

O comboio presidencial passou diante dos manifestantes, que gritaram: "Mais quatro anos! Mais quatro anos!", ou "EUA! EUA!".

Uma cena incomum no coração da capital americana, onde Biden conquistou 90% dos votos da cidade em dia 3 de novembro.

"O presidente Trump merece ver quem o apoia, sentir o amor que temos por ele", disse Kris Napolitana, 50, que mora em Baltimore.

Outros, como Pam Ross, que dirigiu por mais de oito horas de Ohio, no norte do país, chegaram de pontos ainda mais distantes, para participar destes protestos convocados por diferentes grupos, incluindo a milícia de extrema direita "Proud Boys".

Os democratas "estão tentando impulsionar Joe Biden ao poder o mais rápido possível, porque sabem que o furto da eleição vai aparecer com o tempo", disse Ross, sob seu boné rosa "Mulheres por Trump".

Pelo Twitter, o presidente saudou as manifestações em sua homenagem e aproveitou para reiterar suas denúncias - sem fundamento - da suposta fraude eleitoral, da qual se diz vítima.

"Centenas de milhares de pessoas mostram seu apoio em (Washington) DC. Eles não vão tolerar uma eleição fraudulenta e corrupta!", tuitou à tarde.

Sua porta-voz, Kayleigh McEnany, foi além, referindo-se a "mais de um milhão de pessoas" nas ruas.

Um pouco depois, em novos tuítes, o presidente voltou a falar em fraude e também reclamou da parcialidade da imprensa na divulgação da manifestação.

Os manifestantes pró-Trump caminharam pelas ruas sem máscara contra a covid-19, em sua maioria, e clamando por um segundo mandato para o republicano, em uma clima ainda de campanha.

"Vai ser muito complicado, mas tudo é possível com a ajuda de Deus", disse Kathleen Erickson, cujo avião do Colorado para Washington estava, de acordo com ela, "lotado de apoiadores de Trump".

No centro de Washington, a maioria das lojas foi protegida com tábuas, diante do temor de confrontos violentos entre apoiadores de Trump e seus opositores, que também tinham protestos marcados.

À noite, houve alguns embates entre ambos os lados, mas sem consequências graves. A polícia de Washington anunciou dez detenções, quatro delas por infração da lei de armas de fogo, e uma, por violência contra um policial.

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