Milhares de ativistas LGBTQIA+ desfilam em Belgrado na Europride, apesar da proibição

A comunidade LGBTQIA+ fez, neste sábado (17), uma manifestação em Belgrado por ocasião da Europride - a Marcha do Orgulho europeia -, sob proteção policial, apesar da proibição do desfile por parte das autoridades, que anunciaram mais de 60 detenções.

O desfile deveria ser o ponto alto desse evento pan-europeu que a cada ano é celebrado em uma cidade diferente do continente, mas o Ministério do Interior da Sérvia o proibiu na última terça-feira por razões de segurança.

Apesar do cancelamento oficial da marcha, os manifestares percorreram centenas de metros, debaixo de chuva, entre o Conselho Constitucional e um parque próximo, um trajeto muito menor ao previsto inicialmente.

O ministro do Interior sérvio, Aleksandar Vulin, insistiu em que a proibição foi cumprida e que as pessoas simplesmente foram "escoltadas para um show".

A primeira-ministra sérvia, Ana Brnabic, que é homossexual declarada, disse que 64 pessoas foram detidas  dez policiais ficaram feridos neste sábado, mas ressaltou que estava "orgulhosa" de que o dia tivesse terminado "sem incidentes importantes",

A imprensa local reportou tumultos fora do evento, inclusive com um grupo de hooligans, que atirou sinalizadores contra os policiais, e também danos a veículos da polícia.

"Já estive em várias Paradas mas essa é um pouco mais estressante que as outras", declarou à AFP Yasmin Benoit, modelo e ativista em frente ao Conselho Constitucional, local planejado para o encontro.

"Sou do Reino Unido, onde todo mundo é mais solidário", disse a modelo. "Mas aqui, isso é realmente o que uma Parada deveria ser", acrescentou, referindo-se à luta social nas origens do movimento.

"Estamos lutando pelo futuro desse país", destacou Luka, um manifestante sérvio que preferiu não revelar seu sobrenome.

- "Aprovação implícita da intolerância" -

A proibição da parada provocou a indignação de ONGs de direitos humanos e provocou críticas internacionais. Mais de 20 países pressionaram para que a celebração não fosse proibica, assim como a União Europeia (UE).

"A decisão do governo sérvio de cancelar a EuroPride é uma rendição vergonhosa e uma aprovação implícita da intolerência e das ameaças de violência ilegal", disse Graeme Reid, diretor do programa de direitos LGBT da Human Rights Watch.

Ao menos 15 membros do Parlamento Europeu haviam anunciado que se uniriam à marcha do Orgulho em demonstração de solidariedade.

A Sérvia é candidata à União Européia há uma decada, mas os Estados-membros têm mostrado sua preocupação ao longo dos anos por sua posição em temas dos direitos humanos.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo não é legal neste país de sete milhões de habitantes, onde a homofobia segue fortemente enraizada, apesar de alguns avanços contra a discriminação.

As marchas da Parada LGBTQIA+ de 2001 e 2010 foram atacadas pela extrema direita e marcadas pela violência contra os participantes. Desde 2014, o evento é celebrado sem grandes incidentes, mas sempre sob forte proteção policial.

No último fim de semana, milhares de pessoas, incluindo nacionalistas de extrema direita e padres ortodoxos, foram às ruas na capital sérvia contra a marcha deste ano.

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