Um detido em protesto por fechamento da antiga Escola das Américas nos EUA

Recrutas são treinados em táticas de guerrilha urbana em Fort Bennings

Uma ativista detida foi o saldo do protesto pacífico realizado até este domingo na Geórgia, sudeste dos Estados Unidos, para exigir o fechamento e o fim do treinamento de militares latino-americanos na antiga Escola das Américas, disseram os organizadores.

Cerca de 5.000 pessoas participaram do último dia de protestos na entrada de Fort Benning, onde fica localizado o Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança, antiga Escola das Américas, em Columbus, cidade situada 173 km a sudoeste de Atlanta, indicou a organização SOAW (School of Americas Watch).

A ativista Theresa Cusimano, do Colorado (noroeste do país), foi detida quando tentava entrar na base militar, indicaram os organizadores.

Entre os participantes foi destaque, mais uma vez, a presença do ator Martin Sheen.

"Continuo acreditando que as 'causas perdidas' são as únicas causas pelas quais vale a pena lutar e a não-violência é a única arma", disse o ator à multidão.

No início deste ano, 69 congressistas pediram ao presidente Barack Obama que ordenasse por decreto o fechamento da escola e no mês passado o representante democrata Jim McGovern apresentou um projeto de lei para suspender suas operações e investigar os abusos de direitos humanos na América Latina.

De acordo com os organizadores do protesto, Colômbia, Chile, Peru, Nicarágua, República Dominicana, Equador, Panamá, Honduras, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Paraguai e México seguem enviando militares ou policiais aos Estados Unidos para que sejam treinados.

A Escola das Américas foi fundada em 1946 no Panamá, onde permaneceu até 1984. Durante a Guerra Fria, suas instalações serviram para formar milhares de oficiais latino-americanos em táticas de contrainsurgência ou espionagem, entre outras.