Milhares de cientistas protestam em Washington contra cortes de Trump

Washington, 22 abr (EFE).- Com cartazes e jalecos brancos, milhares de cientista de diferentes partes dos Estados Unidos começaram neste sábado a se concentrar no centro de Washington para protestar contra os cortes em pesquisa científica propostos pelo presidente americano, Donald Trump.

A manifestação, batizada de "Marcha pela Ciência" e que coincide com o Dia da Terra, será realizada em mais de 500 cidades do mundo, mas muitos olhares se voltam para Washington, onde os organizadores esperam reunir até 75 mil pessoas.

Os primeiros cientistas começaram a chegar nesta manhã ao Monumento a Washington, em frente à parte sul da Casa Branca, de onde o protesto partirá às 14h (horário local, 15h de Brasília) para percorrer a esplanada do National Mall até as ruas limítrofes ao Congresso.

"Acreditamos que a ciência é importante, é o caminho para o futuro, precisamos proteger nosso futuro, não vamos ter outro planeta para ir e o presidente Trump deveria respeitar isso", disse à Agencia Efe Kelsy Tarasse, de 26 anos e professora de Ciências.

Kelsy e sua irmã, Katy, de 34 anos, dirigiram durante toda a noite desde Cleveland (Ohio) para participar da marcha, à qual compareceram vestidas com uma fantasia laranja de astronauta.

As duas sentem "angústia" pelo orçamento apresentado em março por Trump, que aumenta a despesa militar em troca de cortes em importantes agências científicas, como a Nasa e a Agência de Proteção Meio Ambiental (EPA), encarregada de estudar a mudança climática.

O Congresso tem a última palavra na aprovação e modificação do orçamento, e os cientistas esperam que as manifestações de hoje sirvam para convencer os legisladores a reprová-lo.

Os organizadores insistiram que a marcha não deve ser um evento contra Trump, mas uma reivindicação do importante papel que a ciência deve ter na sociedade e no debate político para que os governantes possam tomar boas decisões levando em conta os fatos, e não elucubrações.

Outras cidades dos EUA, como Nova York e Chicago, também realizam atos em apoio à "Marcha pela Ciência", um movimento que conseguiu o apoio de 220 grupos científicos, como a importante Associação Estado-unidense para o Avanço da Ciência, que promove a cooperação científica. EFE