Milhares de civis fogem da violência em Moçambique; EI confirma ter tomado Palma

Joaquim NHAMIRRE
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Milhares de pessoas fugiam nesta segunda-feira (29) da cidade portuária de Palma, norte de Moçambique, tomada no fim de semana pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), enquanto ONGs e a ONU tentavam ajudar os refugiados.

O EI anunciou hoje que dominou Palma, após um ataque inesperado lançado na quarta-feira passada, que provocou dezenas de mortes. Em comunicado transmitido em um de seus canais de propaganda no Telegram, os extremistas afirmam ter atacado "quartéis militares e a sede do governo (local)", confirmando que tomaram "o controle da cidade" e que provocaram "a morte de dezenas de soldados moçambicanos e cristãos, alguns cidadãos de outros Estados".

A ONU ofereceu "apoio ao governo de Moçambique nos esforços para proteger os civis, restabelecer a estabilidade e levar à Justiça os autores desses atos odiosos. Condenamos energicamente os ataques", declarou o porta-voz da organização, Stephane Dujarric. "Estamos muito preocupados com a situação em Palma, onde ataques armados tiveram início no último dia 24, matando supostamente dezenas de pessoas."

Palma parecia hoje uma cidade fantasma, enquanto milhares de civis tentavam fugir do local. O EI afirma dominar a cidade e reivindica a autoria do ataque, ocorrido a uma dezena de quilômetros de um grande projeto de gás do grupo francês Total. Entre 6.000 e 10.000 pessoas estavam abrigadas dentro do complexo, ultraprotegido, ou tentando obter acesso, de acordo com uma fonte envolvida em operações de evacuação.

Uma balsa, a Sea Star 1, partiu no sábado com cerca de 1.400 trabalhadores e residentes de Palma com destino a Pemba, capital da província de Cabo Delgado. Há mais de um ano, a cidade recebe ondas de deslocados que fogem da violência terrorista.

Muitas canoas e barcos tradicionais, carregados de civis, continuavam a chegar a Pemba, segundo uma fonte envolvida nas operações de evacuação. A polícia e o Exército estiveram neste domingo na praia principal de Paquitequete, impedindo o acesso de jornalistas, informou um fotógrafo da AFP.

- Dezenas de desaparecidos -

Os grupos armados, que há mais de três anos aterrorizam esta região de fronteira com a Tanzânia, intensificaram seus ataques no ano passado. Desde agosto de 2020, controlam o porto estratégico de Mocímboa da Praia, fundamental para a chegada dos materiais necessários às instalações de gás.

Apesar de várias tentativas, os militares moçambicanos nunca conseguiram retomá-lo. Os grupos armados controlam boa parte da área costeira.

O ataque em larga escala de quarta-feira em Palma deixou dezenas de civis mortos, confirmou o Ministério da Defesa de Moçambique na noite de domingo. "Mais de 100 pessoas ainda estão desaparecidas", disse à AFP o pesquisador Martin Ewi, do Instituto de Estudos de Segurança de Pretoria.

Cerca de 12 caminhões carregados de civis que fugiam de um hotel em Palma, onde se refugiaram, estão desaparecidos desde sexta-feira. "Provavelmente, várias pessoas foram mortas tentando escapar do hotel Amarula quando seu comboio foi atacado", disse a diretora regional da Human Rights Watch, Dewa Mavhinga.

Adrian Nel, um sul-africano de 40 anos que trabalhava na construção em Palma com seu pai e irmão, está entre as vítimas, disse sua mãe à AFP. "Meu filho morreu em um dia violento e desnecessário", afirmou.

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