Milhares invadem residência do presidente do Sri Lanka em meio a caos econômico

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Milhares de pessoas invadiram neste sábado (9) a residência oficial do presidente do Sri Lanka, Gotabaya Rajapaksa, na capital econômica Colombo, adicionando mais um capítulo à crescente insatisfação popular em que o país está mergulhado há meses devido à pior crise econômica enfrentada em sete décadas.

Autoridades do Ministério da Defesa informaram a agências de notícias que Rajapaksa fugiu do local antes da invasão. O primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe também teria sido transferido para um lugar seguro. Portões do Ministério das Finanças também foram quebrados por manifestantes, que entraram no local.

Motivados em grande parte pela escassez de combustíveis que já dura meses, a população pede a renúncia do presidente. Em situação semelhante, o ex-premiê Mahinda Rajapaksa, irmão mais velho de Gotabaya e uma das figuras políticas mais proeminentes do país, foi forçado a renunciar em maio.

A pequena ilha de 22 milhões de habitantes mergulhou na pior crise econômica desde a independência do Reino Unido, em 1948, devido à limitação de importações essenciais de combustíveis, alimentos e remédios. A alta da inflação, que atingiu recorde de 54,6% em junho e deve chegar a 70% nos próximos meses, intensificou a insatisfação.

A instabilidade também ameaça minar as negociações do Sri Lanka com o Fundo Monetário Internacional (FMI) na tentativa de obter assistência financeira emergencial. Calculada em US$ 51 bilhões, a grande dívida externa do país levou o governo a decretar a moratória de pagamentos em 12 de abril.

A crise decorrente da pandemia de coronavírus também atingiu duramente a economia, que depende do turismo, e reduziu as remessas enviadas por cidadãos que trabalham no exterior. Mas, ainda que a crise sanitária tenha dado o empurrão que faltava para o caos político e social, analistas apontam que o caos econômico tem origem na administração da família Rajapaksa.

Os governantes anunciaram grandes cortes de impostos, que afetaram a arrecadação do governo e fizeram o país ter de usar suas reservas, levando ao crescimento da dívida governamental.

A campanha oficial de proibição do uso de fertilizantes químicos, sob a alegada justificativa de promover a agricultura orgânica para fins de saúde pública, também teve peso, com agricultores tendo uma das piores colheitas no ano passado, e a população assistindo ao preço de produtos alimentícios básicos subir.

Alguns manifestantes seguravam bandeiras do Sri Lanka quando invadiram a residência oficial do presidente, mostram imagens de canais de TV locais e transmissões ao vivo nas redes sociais. Outros celebravam na piscina do local.

Ao menos 39 pessoas, incluindo dois policiais, ficaram feridas e foram hospitalizadas durante os protestos, segundo informações da agência Reuters. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra a multidão em alguns lugares e tiros foram disparados para o ar.

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