Milhares de mulheres indígenas protestam contra Bolsonaro em Brasília

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Mulheres indígenas marcham durante manifestação para pressionar antes de decisão da Suprema Corte que definirá o futuro de suas terras ancestrais em Brasília, 10 de setembro de 2021 (AFP/Carl DE SOUZA)

Milhares de mulheres indígenas protestaram nesta sexta-feira (10) em Brasília contra a "agenda anti-indígena" do presidente Jair Bolsonaro e para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) em um julgamento crucial para o destino de centenas de terras indígenas.

No fim da marcha, as manifestantes queimaram um boneco de papelão que representava Bolsonaro que, junto com seus aliados do agronégocio, está acelerando a tramitação de projetos vistos pelos indígenas como ameaças às suas terras ancestrais.

Com seus coloridos cocares de penas, cerca de 5.000 mulheres de 172 etnias de todo o país, segundo os organizadores, marcharam pela Esplanada dos Ministérios, entre músicas e gritos de "Fora Bolsonaro".

Chegaram a uma praça simbólica, onde em 1997 um indígena da etnia pataxó foi queimado vivo por cinco jovens.

"As mulheres são as que mais precisam dos territórios demarcados", declarou à AFP Glicéria Jesus da Silva, uma mulher de 39 anos da etnia tupinambá, da Bahia.

"A vulnerabilidade das mulheres por não ter o território demarcado é pela violência dos fazendeiros, invadindo os territórios, agredindo o meio ambiente, derrubando as madeiras, jogando veneno nos rios, o que acaba envenenando os nossos filhos", acrescentou.

Os indígenas, que representam 0,5% dos 213 milhões de brasileiros, levam décadas em conflito com o setor do agronegócio para defender suas reservas, que ocupam 13% do território nacional e são alvo frequente de invasores de terras, mineradores e traficantes de madeira ilegal.

As mulheres estão acampadas em Brasília desde terça-feira. Nesse dia, também houve manifestações gigantescas a favor de Bolsonaro no Dia da Independência.

O STF retomou na quarta-feira um longo julgamento que deve decidir se é válida a tese do "marco temporal", segundo a qual só devem ser reconhecidas como terras ancestrais aquelas ocupadas por esses povos quando a Constituição brasileira foi promulgada, em 1988.

"Justiça histórica. Nossa história não começa em 1988", dizia uma faixa nesta sexta-feira.

O julgamento, que poderia afetar centenas de reservas pendentes de demarcação, continuará na semana que vem.

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