Milhares protestam nos EUA contra violência armada: 'queremos sobreviver à escola'

Milhares de americanos foram às ruas neste sábado em oposição à epidemia de violência armada nos Estados Unidos. Cerca de 450 atos foram organizados em cidades como Washington, Nova York, Chicago e Los Angeles, após um mês em que ataques a tiro deixaram dezenas de mortos, incluindo 19 crianças e duas professoras assassinadas em uma escola em Uvalde, no Texas.

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Com placas e palavras de ordem, endossaram os pedidos para legislações federais que limitem a venda das armas semiautomáticas usadas em vários dos ataques. Esbarram, contudo, no Congresso e na oposição do Partido Republicano, que tem a Associação Nacional de Rifles, principal grupo lobista a favor das armas nos EUA, como grande doador.

Várias foram as tentativas fracassadas de aprovar medidas neste sentido ao longo dos anos. Uma proposta que tramita neste momento não deverá ter um destino muito diferente: na quarta, os deputados aprovaram um veto à venda de semiautomáticas para menores de 21 anos, mas a proposta deverá ser derrubada no Senado.

Apesar de os democratas terem a maioria simples, precisariam convencer ao menos dez senadores da oposição para vencer a cláusula de obstrução do Senado, o que parece muito improvável diante da polarização política e social. Vários dos participantes das marchas prometeram levar a falta de ação em conta ao escolherem seus candidatos:

“Eu levarei seus sentimentos e orações para as urnas”, dizia o cartaz carregado por Maria Vorel, de 67 anos, na manifestação em Washington. Outras diziam: “queremos apenas sobreviver à escola” e “crianças de 11 anos deveriam brincar na rua e não se fingindo de mortas para salvarem suas vidas”.

O movimento deste sábado foi organizado pelo movimento March For Our Lives (Marcha pelas Nossas Vidas), uma organização criada por estudantes e famílias da escola Stoneman Douglas, onde um ataque a tiros deixou 17 mortos em 2018. Nas semanas após o incidente, em Parkland, na Flórida, o grupo organizou marchas similares às deste sábado por todo os EUA, que chegaram a levar 200 mil pessoas às ruas de Washington.

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O ato na capital teve uma breve confusão após um homem jogar um objeto não identificado na multidão logo após um minuto de silêncio em homenagem às vítimas de Uvalde, no Texas. Centenas de pessoas saíram correndo após ele supostamente gritar “eu sou a arma”, segundo noticiou o canal de televisão local WUSA.

Os organizadores rapidamente controlaram a situação, assegurando os manifestantes de que não havia nada errado e não era necessário correr. O homem foi preso, acusado de desordem e atrapalhar um ato público, e solto logo em seguida. Precisará, no entanto, se reapresentar à Justiça nos próximos dias.

O mau tempo na capital atrapalhou um pouco o evento, que teve depoimentos de pessoas diretamente afetadas pela violência armada. Fred Guttenberg, por exemplo, lembrou de sua filha Jaime, de 14 anos, uma das vítimas do massacre em Parkland e demandou que, desta vez, as autoridades deem uma resposta adequada:

— A Câmara votou nesta semana uma lei (...) para o controle de armas e baseada em três ideias: a retirada de armas de pessoas consideradas inaptas para portá-las, checagem de antecedentes e a revisão da idade para comprá-las legalmente — afirmou. — Essas mudanças não serão suficientes, mas sim, são pelo menos um ponto de partida.

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Entre os participantes, estavam também parlamentares, como a deputada democrata Cori Bush, do Missouri, e muitos jovens vestindo camisas azuis distribuídas pelos organizadores. Um deles era Jake Schummer, que tinha oito anos quando perdeu dois amigos no massacre na escola Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, quando 20 crianças e seis adultos foram assassinados:

— A memória dessa tragédia ainda está muito viva em Newtown, mesmo uma década depois — disse ele sobre o pior massacre em uma escola da História dos EUA.

Segundo o projeto MassShootingTracker, que monitora ataques a tiro com quatro ou mais feridos, já foram 298 eventos deste tipo desde janeiro. Em 10 de maio, 10 pessoas morreram em um ataque racista em Buffalo, no Estado de Nova York. No dia seguinte, um atirador deixou um morto e cinco feridos em uma igreja na Califórnia.

Em Uvalde, no dia 25 de maio, o massacre foi realizado por um homem de 18 anos com armas compradas legalmente dias antes. Em 1º de junho, quatro pessoas perderam a vida em um hospital em Tulsa, em Oklahoma. Na quarta, um ataque a tiros em uma fábrica em Maryland deixou três mortos.

A convocatória deste sábado tinha o apoio expresso do presidente Joe Biden, que no início do mês fez um apelo para que o Congresso proíba a venda de armas semiautomáticas e endureça a checagem de antecedentes e implemente outras medidas, por exemplo. Em uma mensagem no Twitter, o presidente disse que a maioria dos americanos querem medidas legais que sejam de “senso comum”:

“Hoje, jovens por todo o país mais uma vez marcham com a March for Our Lives para pedir que o Congresso passe legislações de senso sobre o controle das armas apoiadas pela maioria dos americanos e donos de armas”, afirmou. “Eu me uno a eles repetindo meu pedido ao Congresso: façam algo. (Com El País)

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