Milhares de seguidores dão adeus a Macri apesar de crise na Argentina

O presidente argentino, Maurício Macri (C), a primeira-dama, Jualiana Awada (D), e o ex-candidato a vice, Miguel Angel Pichetto, acenam para simpatizantes em frente à Casa Rosada, Buenos Aires, 7 de dezembro de 2019

Milhares de partidários do presidente argentino, o liberal Maurício Macri, despediram-se dele neste sábado (7) em um comício a três dias da posse do sucessor, o peronista Alberto Fernández, em um país em crise pela recessão, a pobreza, a inflação e a dívida.

Em seu discurso, do alto de um palanque ao lado da esposa, Juliana Awada, Macri destacou "a presença das mulheres", que eram visivelmente a maioria na Praça de Maio, que estava lotada.

"Maurício, querido!", repetiam os participantes do ato de despedida na histórica praça em frente à Casa Rosada (sede do Executivo), onde foram entoadas estrofes do hino nacional.

Assim como tinha feito em mensagem em rede de rádio e televisão, Macri disse, sem entrar em detalhes: "Conseguimos muitas coisas".

"Temos que cuidar da nossa Argentina, que não a roubem", disse o presidente, que responde a quase uma centena de ações judiciais, entre elas de corrupção por negócios em autoestradas, correios e energia eólica.

Entre os casos de corrupção que o governo deixa está o processo, esta semana, da chefe do Escritório Anticorrupção, Laura Alonso, por acobertamento do ex-ministro da Energia Juan José Aranguren, também ex-presidente da empresa anglo-holandesa Shell Argentina, acusado de favorecer os negócios desta empresa em sua gestão.

Macri deixa o cargo com uma inflação de mais de 50% ao ano, segundo o Banco Central (autoridade monetária), após receber um legado inflacionário de 25% em 2015, quando a ex-presidente Cristina Kirchner - hoje vice eleita - concluiu seu mandato.

O presidente em fim de mandato, que entregará o cargo na terça-feira a Fernández no Congresso, garantiu que seu grupo vai "fazer uma oposição construtiva".

"Esta é uma expressão legítima do povo e uma renovação da crença na democracia e na república", disse à AFP Maximiliano Ferraro, legislador governista da cidade de Buenos Aires, ao chegar à praça para se misturar à multidão.