Miliciano apontado como dono de construções na Muzema substituiu condenado da 'Operação Intocáveis'

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O homem apontado como o dono das construções irregulares demolidas, na manhã desta segunda-feira, na Muzema, na Zona Oeste do Rio, é Emerson Portela Claudino, o Missinho. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Federal já investigam Claudino desde meados do ano passado. Em 21 de dezembro, o acusado foi preso por agentes da PF em Rio das Pedras pelo crime de milícia. Segundo a Polícia Federal, ele ainda responde por tentativa de homicídio de policiais federais e de uma criança de cinco anos, que chegou a ser baleada no dia da prisão dele.

De acordo com fontes da PF, Claudino assumiu o comando da Muzema e de Rio das Pedras, territórios mais antigos dominados pela milícia, após a prisão do tenente reformado da PM Maurício Silva da Costa, o Maurição, pela 'Operação Intocáveis', em janeiro de 2019. O militar foi condenado a 30 anos de prisão por homicídio e formação de quadrilha, em setembro deste ano. Ele cumpre pena no Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Segundo as investigações do Gaeco, Claudino percorria as ruas de Rio das Pedras e da Muzema sempre escoltado por homens armados. O fato se confirmou quando o acusado foi preso no último dia 21. Agentes federais faziam um monitoramento dos milicianos, próximo à entrada da favela de Rio das Pedras, quando foram recebidos a tiros por seguranças de Claudino. No ataque, segundo a PF, o menino de cinco anos e um policial foram baleados. A corporação informou que seus agentes não chegaram a atirar. Claudino foi preso em flagrante e teve sua prisão convertida em preventiva pela Justiça em dezembro.

Nesta segunda-feira, uma ação integrada do MPRJ, secretarias municipais de Ordem Pública (Seop) e de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma), além da Subprefeitura de Jacarepaguá demoliram imóveis construídos irregularmente na Muzema, dominada por milicianos.

Responsável por coordenar o Gaeco, Bruno Gangoni, disse que Claudino está sendo investigado como o "dono" dos imóveis demolidos:

— É mais uma operação integrada do Ministério Público, através do GAECO, com a Prefeitura e a Polícia Militar para, além de devolver áreas públicas tomadas pela milícia de Rio das Pedras e Muzema para a população, retirar da organização criminais suas fontes de renda. É possível que o local seja de um miliciano já preso. As investigações continuam — comentou Gangoni.
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De acordo com o que apurou o Gaeco, o carro que está em nome de Claudino, um ônix, tem como endereço no Detran a área das construções demolidas nesta segunda-feira: Estrada do Itanhangá, 621, na Muzema. Ao todo, 12 unidades foram demolidas, sendo que três delas funcionavam como lava-a-jato. Também havia oficina, quiosque, restaurante, estacionamento, estrutura em fundação e uma igreja evangélica. A pastora responsável pelo templo informou que pagava R$ 1 mil pelo aluguel do imóvel.
De acordo com balanço da Seop, ao término da operação, foram desfeitas 34 ligações clandestinas de luz e nove de água. Também foram apreendidos mais de 80 itens entre cadeiras, mesas e carrinhos de carga, além de 80 metros de fios e cabos.
Oito carros e uma moto foram também retirados da localidade. Agentes da Comlurb recolheram 22 toneladas de resíduos. O restante será removido nos próximos dias
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Segundo a prefeitura, as construções foram erguidas irregularmente em área pública, na Estrada do Itanhangá. Ainda segundo o município, os responsáveis foram notificados da ordem de demolição no fim de dezembro.
A subprefeita de Jacarepaguá, Talita Galhardo, que acompanha a operação com a Seop e o Gaeco do MPRJ, disse que além dos lava-a-jatos e da igreja, mais construções estavam sendo erguidas:
— O Rio de Janeiro precisa de ordem pública. Aqui tinha uma lanchonete, um espaço comercial, lava-a-jatos, tudo à beira da rua (Estrada do Itanhangá). Até igreja tinha, com 50 cadeiras! E houve o início da construção de moradias. O Gaeco está conosco investigando a milícia daqui. Essa operação em conjunto é fundamental! Estamos fiscalizando com a Seop e a secretaria de Conservação.
— O papel do agente público é esse. A gente tem que zelar pelo espaço público. O sujeito não pode simplesmente ocupar, construir e utilizar uma área pública. Construir comércio para obter lucro com isso e achar que não vai dar em nada. Estes abusos não podem mais acontecer — concluiu ela.
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Nos últimos 40 dias esta é a quarta operação na região para combater o crime organizado e desocupar áreas públicas invadidas.
O secretário de Ordem Pública, Brenno Carnevale, enfatizou que as demolições vão prosseguir para recuperar espaços públicos e acabar com a exploração das milícias:
— A Prefeitura vai continuar fazendo ações de combate às construções irregulares, principalmente em áreas sob influência do crime organizado. O objetivo é preservar vidas, trazer ordem para a cidade e, naquilo que cabe ao Município, asfixiar o poder financeiro das milícias. Por isso essa parceria com o Ministério Público e com a Polícia Militar é tão importante.

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