Militante histórico deixa PSDB após ‘show de horror contra Alckmin’

THAIS BILENKY
Reprodução/Facebook

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Militante histórico do PSDB, Widerson Tadeu Anzelotti pediu sua desfiliação nesta quarta-feira (10) "por não suportar me omitir diante do espetáculo de horror a que foi submetido Geraldo Alckmin, durante a campanha eleitoral".

Em carta dirigida ao presidente estadual da sigla, Pedro Tobias, Anzelotti, que coordenou a campanha de Alckmin na Grande São Paulo, menciona traições no ninho tucano, sem citar nomes.

"Membros do partido trabalhando abertamente para outras candidaturas. Em Franco da Rocha, minha cidade natal, tive o desprazer de presenciar os dirigentes locais em campanha aberta do candidato Jair Bolsonaro [PSL] no primeiro turno", relatou.

A decisão de Anzelotti chega em momento de esfacelamento do PSDB.

Ele ingressou no partido em 1988, ano de sua fundação, à época vereador. Em 1994, coordenou a campanha de Mário Covas ao governo, na Grande São Paulo. Participou da gestão de Covas e de seu sucessor, Alckmin.

Em 2008, colaborador da campanha de Alckmin à prefeitura da capital, diz ter presenciado "espetáculo desolador: um partido dividido, a candidatura do ex-governador, uma de nossas principais lideranças, abandonada por muitos correligionários. O resultado, todos conhecemos".

À época, José Serra apoiou Gilberto Kassab (à época no DEM, hoje PSD), que se reelegeu. Alckmin foi abandonado.

Na campanha deste ano, disse Anzelotti, "o cenário de 2008 me voltou à lembrança. Mais uma vez, encontramos um PSDB dividido. Dessa vez, num cenário muito mais aterrador."

O agora ex-tucano elogiou "a dedicação e competência com que nosso governador [Alckmin] enfrentou as adversidades pessoais e familiares, a brutal crise econômica, mantendo o estado de São Paulo nos trilhos, com milhares de obras e programas exitosos".

E, "por justiça", deixou registrado seu "apreço ao jovem prefeito Bruno Covas".