Militares detêm presidente e primeiro-ministro de transição no Mali

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O primeiro-ministro do Mali, Moctar Ouane, em 16 de janeiro de 2009 em Nova Delhi, Índia, então Ministro das Relações Exteriores

Militares malineses, insatisfeitos com a remodelação do governo anunciada pelas autoridades de transição, detiveram o presidente e o primeiro-ministro nesta segunda-feira (24), em um golpe que abalou o país africano, mergulhado por anos em uma crise profunda.

O presidente Bah Ndaw e o primeiro-ministro Moctar Ouane lideram um governo de transição que foi instalado após um golpe em agosto, para neutralizar a ameaça de sanções internacionais.

No entanto, os golpistas e militares mantiveram influência sobre o governo, levantando dúvidas sobre o compromisso de realizar eleições no início do próximo ano.

Dois altos funcionários que pediram para não ser identificados disseram à AFP que os soldados levaram Ndaw e Ouane para o acampamento militar de Kati, fora da capital Bamako.

As prisões se seguiram à remodelação do gabinete na tarde de segunda-feira, em resposta às crescentes críticas ao governo interino.

Na mudança, os militares mantiveram os ministérios estratégicos que já controlavam no governo, mas dois golpistas, o ex-ministro da Defesa Sadio Camara e o ex-ministro da Segurança, coronel Modibo Kone, foram excluídos.

Enquanto isso, rumores de um possível golpe de estado circulavam na capital, embora a cidade permanecesse calma.

O primeiro-ministro Ouane disse à AFP, em um breve contato telefônico antes do corte da linha, que os soldados "vieram atrás de mim".

A missão da ONU no Mali (MINUSMA) pediu em um tuíte por calma e a libertação imediata de Ndaw e Ouane.

“Aqueles que os detêm terão que responder por suas ações”, advertiu a missão da ONU.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo nesta segunda à "calma" o Mali e pediu a "libertação incondicional" de seus líderes civis.

"Estou profundamente preocupado com a informação sobre a detenção dos líderes civis responsáveis pela transição no Mali", acrescentou Guterres em sua mensagem.

Segundo diplomatas, o Conselho de Segurança da ONU poderá celebrar uma reunião de emergência nos próximos dias sobre a situação no Mali.

Mais cedo nesta segunda, a CEDEAO (Comunidade de Estados da África Ocidental), a União Africana, a força da ONU no Mali (Minusma), França, Estados Unidos, Alemanha e União Europeia condenaram, em um comunicado conjunto, "energicamente a tentativa de golpe" dos militares.

Os líderes da União Europeia (UE) condenaram o que chamaram de "sequestro" do presidente civil e primeiro-ministro do Mali, disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

"O que aconteceu é muito sério e estamos prontos para considerar as medidas necessárias", disse Michel a jornalistas após uma cúpula dos 27 governantes da UE.

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