Militares, influenciadores e pessoas mortas: veja quem recebeu auxílio emergencial de forma indevida

O sistema do auxílio emergencial, benefício financeiro criado para garantir renda mínima aos brasileiros em situação vulnerável durante a pandemia de Covid-19, sofreu inúmeras fraudes. Militares, influenciadores e até mesmo pessoas mortas receberam indevidamente o valor. Conforme divulgado pelo EXTRA nesta quinta-feira, a mulher do ex-lutador José Aldo, que está hospedando o ex-presidente Jair Bolsonaro na Flórida, nos EUA, teria sido uma das fraudadoras.

A influenciadora Vivianne Pereira Oliveira, foi beneficiada por R$ 600 mensais entre maio e outubro de 2020. De acordo com o Portal da Transparência, ainda em 2020, ela também recebeu uma parcela de R$ 300 em novembro e duas no mesmo valor em dezembro.

O ex-presidente Jair Bolsonaro está na Flórida desde o dia 30 de dezembro e, durante esse período, tem ficado numa mansão de propriedade da empresa Famous Family, aberta também em 2020 por José Aldo e Vivianne. De acordo com a Revista Fórum, enquanto a influenciadora recebia o benefício do auxílio emergencial, a empresa aberta por ela e pelo marido comprou a mansão onde Bolsonaro está por mais de R$ 4 milhões.

Em 2021, a Polícia Federal criou as operações Vida Fácil I e Vida Fácil II, destinadas a investigar fraudes no pagamento do auxílio emergencial. Em novembro daquele ano, a PF prendeu uma quadrilha acusada de fraudar ao menos R$ 10 milhões em pagamentos do benefício. As suspeitas são de que o dinheiro fornecido pelo governo Federal era usado para comprar armas, imóveis, jet-ski e carros luxuosos.

O grupo mantinha vida luxuosa em diversas cidades do país. A Justiça Federal decretou, a pedido da PF, o bloqueio de bens e valores dos investigados objetivando garantir a restituição dos valores desviados para os cofres públicos. As informações foram divulgadas pela PF.

Ao menos 73.242 militares das Forças Armadas receberam indevidamente o auxílio emergencial de R$ 600, conforme informado pelo Ministério da Defesa, em maio de 2020, depois do recebimento da primeira parcela. Entre eles estão militares da ativa, da reserva, pensionistas, dependentes e anistiados que fizeram o cadastro no aplicativo da Caixa Econômica Federal. O pagamento da segunda parcela foi bloqueado automaticamente.

Na época, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Ministério da Defesa bloqueasse os valores pagos indevidamente aos militares na própria folha de pagamento. Os pagamentos referentes à primeira parcela do benefício somam, pelo menos, R$ 43,9 milhões.

Em auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) em julho do ano passado, se descobriu que o governo federal pagou o auxílio emergencial durante o auge da pandemia para 135,7 mil pessoas mortas, ocasionando prejuízo aos cofres públicos no valor de R$ 336,1 milhões.

Ao rastrear todos os pagamentos realizados de maneira irregular, o órgão de controle constatou um prejuízo aos cofres públicos no valor de R$ 9,4 bilhões. O auxílio — inicialmente no valor de R$ 600 mensais por pessoa, valor que foi reduzido posteriormente — foi pago a 68,2 milhões de pessoas em 2020 e 2021, ano em que o governo recuperou R$ 6,9 bilhões que haviam sido distribuídos em pagamentos irregulares.