Militares de Mianmar ameaçam dissolver o partido de Aung San Suu Kyi

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(Arquivo) Apoiadores do LND erguem retratos de Aung San Suu Kyi

A junta militar de Mianmar ameaçou dissolver o partido político da derrubada líder civil Aung San Suu Kyi por supostas fraudes eleitorais nas eleições de 2020.

O presidente da Comissão Eleitoral de Mianmar, Thein Soe, afirmou que a investigação sobre os resultados das eleições legislativas de novembro passado está quase concluída.

"Vamos analisar o que devemos fazer com o partido (Liga Nacional para a Democracia, LND) que agiu de forma ilegal: ou dissolvê-lo, ou processar quem cometeu" esses atos ilegais, como "traidores da nação", afirmou Soe em um vídeo divulgado pela imprensa local.

A Comissão Eleitoral se reuniu na sexta-feira com os partidos políticos para discutir possíveis mudanças no sistema eleitoral, mas o LND não esteve representado na reunião.

O líder da junta militar, Min Aung Hlaing, justificou o golpe militar que em 1º de fevereiro derrubou o governo civil de Suu Kyi com as supostas fraudes cometidas pelo partido desta líder civil, o LND, que venceu as eleições com ampla maioria.

Um veículo de comunicação local informou na quinta-feira que a junta eliminou o limite de idade para a aposentadoria dos generais, o que permitiria ao general Min Aung Hlaing permanecer nas funções mesmo depois de seus 65 anos em julho.

Quase quatro meses depois do golpe de Estado militar, Mianmar continua imersa no caos, com um levante popular reprimido a sangue e fogo, uma economia paralisada por uma greve geral e intensos combates entre o exército e as facções rebeldes.

A repressão dos manifestantes pró-democracia e dos dissidentes causou mais de 800 mortes desde 1º de fevereiro. Enquanto isso, dezenas de milhares de civis estão deslocados devido aos confrontos entre o exército e as milícias étnicas, que são numerosas no país.

Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz em 1991, de 75 anos, não foi vista em público desde sua prisão no dia do golpe de Estado. Sob prisão domiciliar na capital Naypidaw, deve comparecer na segunda-feira pela primeira vez à Justiça.

"Aung San Suu Kyi tem boa saúde. Ela permanece em casa e comparecerá ao tribunal em alguns dias", disse Min Aung Hlaing, em um trecho de uma entrevista à Phoenix Television de Hong Kong, publicado nas redes sociais neste sábado.

Se for declarada culpada, a líder birmanesa poderia ser banida para sempre da vida política e inclusive condenada a longos anos de prisão.

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