Militares tentam convencer Moraes a mudar teste de urna feito no dia da eleição

Ministro Alexandre de Moraes participa de uma apresentação de um programa do Supremo Tribunal Federal para combater a desinformação em 18 de maio de 2022 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Ministro Alexandre de Moraes participa de uma apresentação de um programa do Supremo Tribunal Federal para combater a desinformação em 18 de maio de 2022 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Militares que participam da fiscalização do sistema eletrônico de votação estão insatisfeitos com as mudanças feitas até o momento pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para ampliar a transparência e a confiança nas eleições.

Eles querem implementar uma forma de teste que consideram primordial para assegurar a segurança e o funcionamento correto das urnas e buscam convencer o ministro Alexandre de Moraes, que será o próximo presidente do TSE, a adotar.

Trata-se do teste de integridade, que nada mais é do que uma votação simulada, realizada desde 2002 pela Justiça Eleitoral, como forma de comprovar que as urnas contam corretamente os votos digitados. Nunca houve discordância sobre esse teste, mas agora os militares querem mudar esse processo.

No modelo vigente, a testagem ocorre no dia da votação nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) para onde urnas sorteadas na véspera do pleito são encaminhadas. Lá, em ambiente controlado, servidores digitam os votos registrados antes em cédulas de papel. Ao fim, a contagem da urna é comparada com a das cédulas. Tudo é filmado e transmitido ao vivo pela internet. Fiscais podem acompanhar a testagem e não há envolvimento direto de eleitores.

Mas os militares entendem que a votação paralela do teste deve ocorrer em condições reais, ou seja, que seja realizada na própria seção eleitoral. Para isso, eles propõem que se instale uma segunda urna apenas para os testes. Além disso, eles querem que eleitores participem desse momento, porque na visão deles, isso garantiria o ritmo real de votação.

Dessa forma, depois de votarem na cabine oficial, os eleitores seriam convocados a destravar a urna-teste com a própria biometria e, em seguida, seriam dispensados. A partir daí, servidores da Justiça atuariam na votação paralela, como fazem hoje.

Porém, técnicos do TSE dizem que a proposta do Ministério da Defesa pode gerar “confusão”. Programadores da Corte afirmam que o ambiente da seção eleitoral é mais tumultuado e sujeito a interferências, para receber um exame tão rigoroso.

De acordo com apuração do jornal O Estado de São Paulo, ministros do governo estão articulando com Moraes para que ele dê ouvidos aos militares. Seria uma maneira de baixar a temperatura antes dos atos convocados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para o dia 7 de Setembro.

Moraes esteve com Bolsonaro para convidá-lo para sua posse no TSE, marcada para o dia 16 de agosto.