Milton Gonçalves sonhava ver um presidente negro no Brasil: 'Os Estados Unidos tiveram um e nós não temos? Isso me incomoda'

Ator referência na televisão brasileira, Milton Gonçalves morreu ontem, aos 88 anos, e acabou não conseguindo realizar um dos seus sonhos. O artista queria ver um presidente negro no Brasil. Em entrevista ao EXTRA, em 2019, ele falou sobre política e lembrou o caso norte-americano, onde Barack Obama governou o país entre 2009 e 2017.

— O que me falta no meu Brasil, o que me deixaria alegre é que nós tivéssemos um presidente negro, porque nós somos um percentual grande neste país. No dia em que nós tivermos um presidente negro, aí eu vou dizer: nós batalhamos — falou ele, que foi militante do movimento negro e chegou a se candidatar a governador do Rio em 1994.

Para Milton, faltava representatividade na política brasileira:

— Os Estados Unidos tiveram um presidente negro e nós não temos? Para mim, isso me incomoda. Não interessa se vão ficar zangados, se vão dizer que sou racista. Quero é que nosso povo brasileiro, que é de índios, negros, orientais, quero que estejamos todos juntos. Que felicidade grande quando você chega nos Estados Unidos, vem aquele negão, com a mulher dele, as duas filhas e ele é presidente. Fiquei muito emocionado. E nós aqui não conseguimos botar um — explicou ele, que, atualmente, está no ar na reprise de "A favorita" (2008), no "Vale a pena ver de novo", como um deputado corrupto.

Milton foi um dos primeiros contratados da TV Globo, antes mesmo da emissora entrar no ar pela primeira vez, e abriu portas a muitos outros artistas. Nesta terça-feira, 31 de maio, seu corpo será velado no Teeatro Municipal, a partir das 9h, com cerimônia aberta ao público.

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