Milton Ribeiro deixa o Ministério da Educação

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Ministro da Educação, Milton Ribeiro está no centro de uma polêmica envolvendo a suposta cobrança de propina por pastores evangélicos indicados pelo presidente Jair Bolsonaro para intermediar liberação de verbas do MEC. (Foto: Agência Brasil/Valter Campanato)
Ministro da Educação, Milton Ribeiro está no centro de uma polêmica envolvendo a suposta cobrança de propina por pastores evangélicos indicados pelo presidente Jair Bolsonaro para intermediar liberação de verbas do MEC. (Foto: Agência Brasil/Valter Campanato)
  • Milton Ribeiro pediu exoneração do Ministério da Educação

  • Ministro estava envolvido em escândalo, após vazamento de áudios, envolvendo favorecimento de municípios indicados por pastores evangélicos

  • Pressão de aliados de Jair Bolsonaro pela saída de Ribeiro cresceu nos últimos dias

O Ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu exoneração do cargo nesta segunda-feira (28). A informação foi divulgada pela CNN Brasil.

Ribeiro teria enviado uma carta ao presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmando que deixaria o Ministério. "Não me despedirei, direi até breve", escreveu o ministro. A carta na íntegra foi relevada pela jornalista Natuza Nery, do g1.

No texto, Ribeiro afirma que a vida dele sofreu mudanças radicais nos últimos dias, em função da revelação de um possível esquema de tráfico de influência no Ministério da Educação. "Tenho plena convicção que jamais realizei um único ato de gestão na minha pasta que não fosse pautado pela correção, pela probidade e pelo compromisso com o erário. As suspeitas de que uma pessoa, próxima a mim, poderia estar cometendo atos irregulares devem ser investigadas com profundidade", declarou.

"Decidi solicitar ao Presidente Bolsonaro a minha exoneração do cargo, com a finalidade de que não paire nenhuma incerteza sobre a minha conduta e a do Governo Federal, que vem transformando este país por meio do compromisso firme da luta contra a corrupção", diz Ribeiro na carta.

Nos últimos dias, a pressão de aliados de Bolsonaro para que Milton Ribeiro deixasse o cargo cresceu. O objetivo era aplacar a crise no MEC, gerada após áudios de Ribeiro serem vazados.

Nas gravações, Milton Ribeiro afirma que o MEC tem favorecido pastores evangélicos com repasse de verbas do ministério, a pedido de Jair Bolsonaro. Os municípios que recebem os recursos são os indicados por líderes religiosos, como Gilmar Santos e Arilton Moura.

Aliados de Bolsonaro avaliavam que o escândalo poderia prejudicar a reeleição do presidente. Segundo o Datafolha, Jair Bolsonaro tem 26% das intenções de voto, enquanto Lula tem 43%.

Apesar da crise, na última quinta-feira (24) Bolsonaro havia dito que estava disposto a colocar “a cada no fogo” por Milton Ribeiro. Também na quinta-feira, o Senado aprovou a convocação de Milton Ribeiro. A audiência está prevista para acontecer na próxima quinta-feira (31).

Bíblias com a cara de Ribeiro

Em um evento organizado pelo Ministério da Educação (MEC), em 2 de julho de 2021, em Salinópolis (PA), foram distribuídas bíblias que levavam fotos do ministro da pasta, Milton Ribeiro, e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, presentes no evento.

A bíblia distribuída destaca o “patrocínio” do prefeito de Salinópolis, Carlos Alberto de Sena Filho (PL), o Kaká Sena, cuja foto também aparece na impressão. Ele encomendou uma tiragem de mil bíblias por R$ 70 cada, de acordo com presentes, segundo o jornal Estadão. A Igreja Ministério Cristo para Todos, um ramo da Assembleia de Deus comandada pelo pastor Gilmar, foi responsável pela edição.

Durante o evento, Gilmar se sentou ao lado de Milton Ribeiro e do presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Marcelo Ponte.

Depois do evento, o ministro aprovou a construção de uma escola no município e firmou um termo de compromisso de R$ 5,8 milhões. No fim de dezembro, foram empenhados R$ 200 mil desse valor.

Leia a carta de Ribeiro na íntegra:

"Desde o dia 21 de março minha vida sofreu uma grande transformação. A partir de notícias veiculadas na mídia foram levantadas suspeitas acerca da conduta de pessoas que possuíam proximidade com o Ministro da Educação.

Tenho plena convicção que jamais realizei um único ato de gestão na minha pasta que não fosse pautado pela correção, pela probidade e pelo compromisso com o erário. As suspeitas de que uma pessoa, próxima a mim, poderia estar cometendo atos irregulares devem ser investigadas com profundidade.

Eu mesmo, quando tive conhecimento de denúncia acerca desta pessoa, em agosto de 2021, encaminhei expediente a CGU para que a Controladoria pudesse apurar a situação narrada em duas denúncias recebidas em meu gabinete. Mais recentemente, em _, solicitei a CGU que audite as liberações de recursos de obras do FNDE, para que não haja duvida sobre a lisura dos processos conduzidos bem como da ausência de poder decisório do ministro neste tipo de atividade.

Tenho três pilares que me guiam: Minha honra, minha família e meu país. Além disso tenho todo respeito e gratidão ao Presidente Bolsonaro, que me deu a oportunidade de ser Ministro da Educação do Brasil.

Assim sendo, e levando-se em consideração os aspectos já citados, decidi solicitar ao Presidente Bolsonaro a minha exoneração do cargo, com a finalidade de que não paire nenhuma incerteza sobre a minha conduta e a do Governo Federal, que vem transformando este país por meio do compromisso firme da luta contra a corrupção.

Não quero deixar uma objeção sequer quanto ao meu comportamento, que sempre se baseou em pilares inquebrantáveis de honra, família e pátria. Meu afastamento do cargo de Ministro, a partir da minha exoneração, visa também deixar claro que quero, mais que ninguém, uma investigação completa e longe de qualquer dúvida acerca de tentativas deste Ministro de Estado de interferir nas investigações.

Tomo esta iniciativa com o coração partido, de um inocente que quer mostrar a todo o custo a verdade das coisas, porém que sabe que a verdade requer tempo. Sei de minha responsabilidade política, que muito se difere da jurídica. Meu afastamento é única e exclusivamente decorrente de minha responsabilidade política, que exige de mim um senso de país maior que quaisquer sentimentos pessoais.

Assim sendo, não me despedirei, direi um até breve, pois depois de demonstrada minha inocência estarei de volta, para ajudar meu país e o Presidente Bolsonaro na sua difícil mas vitoriosa caminhada.

Brasil acima de tudo!!! Deus acima de todos!!!"

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