Milton Ribeiro disse à PF em março que recebia pastores a pedido de Bolsonaro

Milton Ribeiro disse à PF, em março deste ano, que Bolsonaro o pediu para receber pastores. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Milton Ribeiro disse à PF, em março deste ano, que Bolsonaro o pediu para receber pastores. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Preso preventivamente nesta quarta-feira (22), o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro afirmou à PF (Polícia Federal) em março deste ano que recebeu a pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL) os pastores evangélicos envolvidos no escândalo da liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) do MEC (Ministério da Educação).

Em depoimento dado à PF no dia 31 de março, Milton confirmou que Bolsonaro pediu que recebesse o pastor Gilmar Santos, também preso na operação deflagrada nesta quarta. Além de Gilmar, o pastor Arilton Moura também é alvo da PF, mas ainda não foi localizado.

Apesar disso, na ocasião, o ex-ministro negou a existência de “tratamento privilegiado” aos pastores no escândalo que ficou conhecido como "Bolsolão do MEC", envolvendo tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos do FNDE.

“O presidente Jair Bolsonaro realmente pediu para que o pastor Gilmar fosse recebido, porém isso não quer dizer que o mesmo gozasse de tratamento diferenciado ou privilegiado na gestão do FNDE ou MEC, esclarecendo que como ministro recebeu inúmeras autoridades, pois ocupava cargo político”, disse ele aos policiais.

“O presidente da República jamais indagou o declarante a respeito da visita do pastor Gilmar”, acrescentou Ribeiro, em março.

Com base em documentos, depoimentos e um relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) foi possível mapear indícios de crimes na liberação de verbas do fundo. Ao todo, são cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e cinco de prisões em Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal.

Os pastores são peças centrais no escândalo do balcão de negócios do ministério. Eles negociavam com prefeitos a liberação de recursos federais mesmo sem ter cargo no governo.

Os recursos são do FNDE, órgão ligado ao MEC controlado por políticos do centrão, bloco político que dá sustentação a Bolsonaro desde que ele se viu ameaçado por uma série de pedidos de impeachment e recorreu a esse apoio em troca de cargos e repasses de verbas federais.

O fundo concentra os recursos federais destinados a transferências para municípios. Prefeitos relataram, inclusive, pedidos de propina até em ouro.

Após o escândalo vir à tona, Milton Ribeiro pediu exoneração do cargo após o jornal Folha de S. Paulo divulgar um áudio em que ele afirma que o MEC tem favorecido pastores evangélicos com repasse de verbas do ministério a pedido de Bolsonaro.

De acordo com O Globo, Ribeiro falou à PF que a gravação foi tirada de contexto, e que a afirmação foi feita como forma de prestigiar o pastor Gilmar na "condição de líder religioso nacional".