Milton Ribeiro tratava de venda de carro a pastor 'com naturalidade', disse atual ministro à CGU

Apesar de ter dito em entrevistas que havia se afastado dos pastores lobistas que atuavam no Ministério da Educação, o ex-ministro Milton Ribeiro comentava "com naturalidade" sobre a venda de um veículo a Arilton Moura — um dos religiosos presos ontem — segundo depoimento do então número 2 da pasta e atual ministro da Educação, Victor Godoy. À Controladoria-Geral da União, Godoy afirmou que Ribeiro tratava abertamente da negociação, "sem procurar esconder o ocorrido". A declaração consta em trecho da transcrição dos autos da Operação "Acesso Pago" deflagrada nesta quarta-feira.

A venda do veículo que envolveu uma transação de R$ 60.000 entre Myrian Pinheiro Ribeiro, a mulher do ex-ministro, e a filha do pastor Victoria Camacy Bartolomeu, é citada como uma das provas do relacionamento entre Ribeiro e Arilton e ensejou os pedidos de quebra de sigilo bancário dos envolvidos na Operação.

Conforme as investigações, o contrato de compra e venda do carro, um Kia Sportage, é datado do dia 22 de fevereiro de 2022 - portanto, ocorreu depois de o ex-ministro declarar que havia se afastado do pastor lobista.

Outro servidor do MEC que contou sobre o ocorrido foi o então chefe de gabinete do ex-ministro, Djaci Vieira, segundo o qual “Milton Ribeiro revelou que vendeu um veículo para o pastor Arilton”.

Perguntado ontem sobre a transação financeira, o advogado de Ribeiro, Daniel Bialski, afirmou que nãohavia nada de irregular no ato. -- Isso é uma venda de carro, tudo regular, nada de errado -- disse o advogado. Ele ainda afirmou que a regularidade da transação será comprovada nos autos da investigação.

Tanto Ribeiro como Arilton foram alvos de mandados de prisão preventiva decretados pelo juiz Renato Borelli, da 15ª Vara Federal do Distrito Federal. Nesta quinta-feira, o desembargador federal Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), aceitou um habeas corpus apresentado pelo ex-ministro e Educação Milton Ribeiro e mandou libertá-lo.

A decisão, dada em caráter liminar até o julgamento do caso pela Terceira Turma do TRF-1, também se estende aos outros investigados.

À Justiça Federal, a Polícia Federal afirmou que Ribeiro cometeu uma "façanha criminosa" em conjunto com os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, atuando dentro do governo para a suposta prática de crimes contra a administração pública como corrupção passiva privilegiada, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência. Por isso, a PF solicitou a prisão preventiva deles e de outros duas pessoas que foi deferida pela primeira instância.

A defesa de Ribeiro nega qualquer irregularidade e diz que a prisão não tinha justificativa, porque o ex-ministro não exerce mais influência no governo federal e tem bons antecedentes criminais.

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