“Minha espada não tem partido”, cita chefe do Estado-Maior do Exército, ao lado de Bolsonaro

Ana Paula Ramos
·2 minuto de leitura
Bolsonaro em cerimônia do Exército
Bolsonaro participou hoje de cerimônia de promoção de generais do Exército (Foto: Marcos Corrêa/PR)
  • Chefe do Estado-Maior do Exército diz que "minha espada não tem partido", em evento ao lado de Jair Bolsonaro

  • Os dois participaram de cerimônnia de promoção de generais do Exército nesta quinta

  • Bolsonaro defendeu que não se pode "admitir quem sair do balizamento" da Constituição

Em cerimônia ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o general Antonio Amaro, chefe do Estado-Maior do Exército, afirmou nesta quinta-feira (8) que “minha espada não tem partido”. A frase é uma citação do patrono do Exército, Duque de Caxias.

A declaração foi dada após a demissão do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, na semana passada, por Bolsonaro, que queria um alinhamento maior das Forças ao seu governo.

Leia também

A saída de Azevedo levou à demissão dos comandantes das três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica).

Nesta quinta, Amaro e o presidente participaram de uma cerimônia de promoção de generais, no Clube do Exército. Amaro citou a frase de Caxias.

"A virtude personificada por Caxias já mereceu também, por parte do comandante supremo das Forças Armadas [Bolsonaro], uma referência especial por ocasião do Dia do Soldado de 2020. Naquela ocasião, o presidente da República, Jair Bolsonaro, fez citação à famosa frase proferida pelo Duque, que sendo ele do partido conservador, mas compromissado com a pátria, ao ser convidado pelo imperador Dom Pedro II para ser o comandante em chefe na Guerra da Tríplice Aliança, assim declarou: 'Aceito o convite, a minha espada não tem partido'", disse.

O chefe do Estado-Maior afirmou ainda que os generais recém promovidos devem zelar pela hierarquia na tropa. Ele acrescentou que os soldados devem ser “guardiões” da vocação principal da Força: defender a pátria.

"Neles [nos soldados], a destreza técnica e a habilidade para refrega devem continuar amparadas nas rígidas bases da hierarquia e da disciplina e na prática dos valores morais mais caros à nossa sociedade", lembrou o general.

Em seguida, o presidente Jair Bolsonaro defendeu o limite das “quatro linhas da Constituição” em seu discurso. Ele afirmou que não se pode aceitar alguém que queira atuar fora desse “balizamento”.

“Nós atuamos dentro das quatro linhas da nossa Constituição. Devemos, e sempre agiremos assim. Por outro lado, não podemos admitir quem por ventura queira sair desse balizamento", afirmou o presidente.

Bolsonaro também disse que "os momentos são difíceis" e que "vivemos uma fase um tanto imprecisa", mas não especificou a que situação se referia.

"Os momentos são difíceis. Vivemos uma fase um tanto quanto imprecisa, mas temos a certeza, pelo nosso compromisso, pela nossa tradição, sempre teremos como lema a nossa bandeira verde e amarela e a nossa perfeita sintonia com desejos da nossa população. Assim agiremos”, completou Bolsonaro.