Ministério adotará critério que permite vacinação contra Covid de pessoas com menos de 59 anos

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério da Saúde irá adotar novas orientações para organização da vacinação contra a Covid nos estados e municípios.

As medidas incluem enviar doses para professores e trabalhadores da educação em todo o país, grupo que é o próximo da lista prioritária e, na sequência, abrir espaço para o início da vacinação em alguns locais também por faixa etária, em pessoas com menos de 59 anos.

A iniciativa deve ocorrer em conjunto com o fim da vacinação dos demais grupos prioritários previstos no plano de vacinação.

A proposta foi aprovada nesta quinta-feira (27) em reunião com os demais gestores do SUS, como representantes de secretários estaduais e municipais de saúde.

Uma nota técnica que detalha as medidas deve ser divulgada nesta sexta (28).

Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Francieli Fontana, a mudança passou a ser planejada após pedido de alguns municípios, que afirmam ter menor demanda na vacinação dos grupos prioritários atuais ou já terem avançado em parte dos seguintes —daí pedirem para iniciar a vacinação também por faixa etária.

"Nesse momento, muitos estados e municípios estão tendo diferenças na vacinação", afirmou ela, segundo quem alguns municípios podem ter tido estimativas superiores à demanda real. "Há muitos municípios que estão com pouca demanda nas unidades de saúde para esses grupos."

Atualmente, a vacinação no país, salvo diferenças regionais, está prevista para pessoas com doenças preexistentes, com deficiência permanente, população em situação de rua, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade.

Com a nova medida, a pasta quer então iniciar o envio de doses para vacinação de professores e trabalhadores de educação, que seriam os próximos da lista nacional, enquanto a vacinação dos grupos atuais é concluída.

Passada essa etapa, que na prática já ocorre em diversos estados, seria aberta a possibilidade também de iniciar, em alguns locais, o início da vacinação por faixa etária, que iria da maior para a menor idade —pessoas de 59 a 55 anos, seguido de 54 a 50 anos e assim por diante.

A medida ocorreria em conjunto com a vacinação dos últimos grupos prioritários, que seguem a ordem do plano de vacinação. Entram na lista trabalhadores do transporte coletivo e metroviário, caminhoneiros, trabalhadores industriais e funcionários da limpeza urbana.

Para que o início da vacinação por faixa etária possa ocorrer, municípios devem pactuar a estratégia em conjunto com os estados em comissões técnicas e reservar uma parte das doses para manter a imunização dos grupos prioritários.

"É destinar parte das doses para seguir com idade e parte para seguir com o plano", completou o secretário-executivo do ministério, Rodrigo Cruz.

Segundo Fontana, dados da situação atual da epidemia têm mostrado a possibilidade de avançar na vacinação por faixa etária. "De 59 a 50 anos, também vem se verificando um aumento da mortalidade. Quanto mais velho, maior o risco de complicação e morte", afirmou.

Na reunião, a pasta não detalhou se haveria critérios mais específicos para definição de quais locais podem iniciar a vacinação por faixa etária nem quais os percentuais de reserva propostos por idade e para os grupos prioritários enquanto isso ocorrer. Questionado pela reportagem sobre a proposta, o ministério disse apenas que mais dados devem constar de nota técnica.

Ao aprovar a proposta, secretários de saúde citaram que alguns municípios têm deixado doses estocadas por terem baixa demanda para alguns grupos —caso da população em situação de rua ou população privada de liberdade, por não terem presídios ou serem cidades menores, por exemplo.

"Fico desesperado quando escuto secretário me ligar e dizer que não tem mais grupo de comorbidade e de pessoas com mais de 60 anos. E que diz que está com vacina estocada enquanto espera abrir outro público", afirmou o secretário de saúde do Maranhão e presidente do Conass (conselho que reúne secretários estaduais de saúde), Carlos Lula.

Para Mauro Junqueira, secretário-executivo do Conasems, conselho que reúne os municípios, a medida não prejudica o plano de vacinação. "Deixamos claro que aqueles que já avançaram nos grupos e tiverem vacinas disponíveis podem iniciar por idade", disse.

Ainda de acordo com a coordenadora, a estimativa é que a vacinação de pessoas com comorbidades e demais grupos atuais seja concluída em até duas semanas. Ela não informou qual a previsão de conclusão todo o público prioritário, o qual soma 78,4 milhões de pessoas.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tem dito que pretende terminar a vacinação de toda a população adulta —ou seja, além dos grupos prioritários—até o fim deste ano.

O cronograma de doses, no entanto, tem enfrentando impasses junto a alguns fornecedores devido ao atraso na entrega de insumos usados na produção de vacinas.

Nesta quarta (26), novo cronograma divulgado pela Saúde reduziu para 43,8 milhões a previsão de doses de vacinas contra Covid a serem distribuídas em junho. Até então, a estimativa, calculada a partir de dados de fornecedores, era de 52,2 milhões de doses.

Ainda no encontro, gestores manifestaram preocupação com novo aumento de casos da Covid no país e pediram apoio do Ministério da Saúde na organização de ações.

"Falam que estamos entrando na terceira onda. Acho que nem saímos da primeira. Nosso alerta é no sentido de estarmos atentos ao recrudescimento da pandemia nesse momento. Para 2021, vamos precisar de muito mais recursos na Saúde do que tivemos em 2020", disse o presidente do Conasems, Willames Freire.

O secretário de vigilância em saúde do ministério, Arnaldo Medeiros, confirmou que os dados apontam um aumento de casos nas últimas cinco semanas, mas evitou definir se a situação se trata de uma terceira onda. "Às vezes também tenho a impressão de que tivemos um recrudescimento de uma única onda", comentou.

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