Ministério avalia se adotará testes aprovados pela Anvisa: eficácia e custos serão medidos

Renata Mariz e André de Souza
O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde informou que estuda o nível de confiabilidade, custos e procedimentos dos oito testes recém-aprovados pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) para coronavírus. Somente após isso, segundo João Gabbardo, secretário-executivo da pasta, será possível adotar uma expansão dos testes a partir da compra dos kits por alguma empresa.

Por enquanto, o governo mantém a diretriz de testar apenas para pacientes graves, além dos doentes com síndrome gripal na rede sentinela, mesmo com quadro leve, dentro do protocolo de rotina. Gabbardo negou que haja risco de pacientes morrerem sem que se saiba que tinha coronavírus.

— Impossível (ter morte por coronavírus sem ser identificado). Se a pessoa está com uma situação grave a ponto de ter ir ao óbito, ela está no hospital. E se está no hospital com síndrome respiratória grave, vai fazer o teste — afirmou Gabbardo, completando:

— Não existe possibilidade de que não tenhamos testes para os casos graves e eventualmente para um óbito que tenha acontecido. Essa é a situação atual. Se houver disponibilidade de aumentarmos o número de testes, testes mais rápidos, que sejam mais fáceis, estamos empenhados nisso. e poderemos ampliar o número de pessoas que serão testados.

No entanto, o secretário destacou que novos testes, a exemplo dos oito aprovados pela Anvisa, precisam ser analisados pela pasta antes de serem incorporados.

— Estamos analisando todos eles: a metodologia, eficiência, nível de confiabilidade que vamos ter nesses testes, o tempo que vai demorar para fazer a análise e quem vai fazer a análise. O material é coletado na rua, dentro do carro, no supermercado, mas depois precisa ir para os laboratórios para ter sua realização. Tudo isso está sendo analisado, inclusive a questão dos custos — diz Gabbardo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu, nesta semana, que os países façam a maior quantidade de testes possível, mas o Ministério da Saúde brasileiro já destacou que tem uma realidade diferente de países pequenos, como a Coreia do Sul, usada como exemplo. E acrescentou que não há testes em quantidade suficiente disponíveis no mundo, diante da pandemia.

Socorro Gross, representante da OMS no Brasil, que acompanhou a coletiva ao lado das autoridades brasileiras, disse que a organização está avaliando a eficácia de testes pelo mundo e que nas próximas semanas deverá ser emitida uma recomendação nesse sentido. Segundo ela, é preciso garantir que as testagens adotadas não deem falsos positivos ou negativos e que o Brasil tem trabalhado com essa preocupação.

Gabbardo afirmou que a capacidade dos 27 Laboratórios Centrais (Lacens), de fazer 30 mil a 40 mil testes por mês, é suficiente para o cenário atual do surto. Dezessete mil testes já foram distribuídos aos estados e 10 mil estão sendo repassados nesta semana, segundo o ministério.

O secretário-executivo aponta que que, com as recomendações de isolamento da pasta para pessoas gripadas, não faz sentido ampliar testagem nesse momento, em que não há tratamento para covid-19:

— Para que serve o teste? Identificar quem tem coronavírus e fazer com que essa pessoa entre no isolamento. Já ampliamos isso, já recomendamos que as pessoas que estejam sintomáticas façam isolamento, independente do testes.

A pasta apresentou um planejamento para ter um milhão de testes nos Lacens, mais um milhão para serem processados na rede de investigação de HIV do SUS e 300 mil com uso da rede de testagem de tuberculose, sem detalhar prazo. As máquinas dessas estruturas voltadas a outras doença podem ser usadas para testar coronavírus. O resultado sai em cerca de uma hora e meia.