Ministério da Economia diz que Censo de 2021 está cancelado

Fernanda Trisotto
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BRASÍLIA – O Censo Demográfico de 2021 está cancelado. A confirmação foi feita pelo secretário da Fazenda, Waldery Rodrigues, nesta sexta-feira.

— Não há previsão orçamentária para o Censo, portanto ele não se realizará em 2021 – declarou o secretário em coletiva de imprensa sobre a sanção do Orçamento.

De acordo com Rodrigues, o levantamento foi cancelado devido aos cortes realizados – a pesquisa perdeu 96% do orçamento, que foi reduzido de R$ 2 bilhões para R$ 71 milhões.

— As razões do adiamento foram colocadas no momento em que o Censo não teve o recurso alocados no processo orçamentário. Novas decisões sobre alocação e realização do Censo serão comunicadas – disse o secretário, que ressaltou que também serão ouvidas as orientações determinadas pelo Ministério da Saúde, em torno de questões sanitárias.

Cortes provocaram troca no comando do IBGE

A redução no orçamento da pesquisa já havia provocado mudanças no Instituto Brasileiro de Georgrafia e Estatística (IBGE), responsável por conduzir o Censo.

Susana Guerra, que comandada o instituto, alegou motivos pessoais e pediu demissão um dia depois de o Congresso ter reduzido a verba do Censo a R$ 71 milhões. Ela foi substituída por Eduardo Rios Neto, economista e demógrafo que era diretor de pesquisas do IBGE.

Antes disso, o IBGE cancelou a prova para contratar os cerca de 200 mil recenseadores e agentes necessários para visitar os mais de 70 milhões de domicílios brasileiros.

Susana e Rios Neto publicaram artigo no GLOBO defendendo a realização do Censo. "Além de ser um instrumento fundamental para o pacto federativo e a calibragem da democracia representativa, a contagem da população permite a determinação dos públicos-alvo de todas as políticas públicas nos âmbitos federal, estadual e municipal", escreveram.

O ponto é corroborado por especialistas, que alertam para o risco de um apagão estatístico diante da mais grave crise sanitária mundial do século.

A defasagem do Censo, que já dura onze anos, dizem especialistas, pode minar políticas públicas para os próximos anos.