Ministério da Saúde afirma que incêndio no Instituto Serum atrasou envio de doses da vacina de Oxford

Leandro Prazeres e Paula Ferreira
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BRASÍLIA— O Ministério da Saúde informou nesta sexta-feira que o incêndio na fábrica do Instituto Serum, na Índia, foi a responsável pelo atraso na entrega de 2 milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca-Fiocruz. A informação foi dada pelo secretário-executivo da pasta, Élcio Franco, durante entrevista coletiva.

Segundo ele, a empresa enviou uma carta ao governo brasileiro informando que o incêndio havia comprometido sua capacidade produtiva. A posição é diferente, no entanto, da que foi inicialmente dada pela empresa logo após o incêndio. Na época, o Instituto Serum, maior fabricante mundial de vacinas, disse que o incêndio não afetaria a produção de imunizantes contra a Covid-19.

— O próprio Serum mandou uma carta, que encaminhamos ao Senado Federal […] onde ele sinaliza que aquele incêndio que foi noticiado, que ocorreu na planta fabril do Serum, comprometeu a capacidade produtiva do Serum e que por isso ele teria dificuldade para atender em curto prazo. Por isso não houve essa entrega que planejávamos de 2 milhões de doses em março — disse o secretário.

O incêndio aconteceu no dia 21 de janeiro em uma das principais plantas da empresa e matou cinco pessoas.

Além disso, durante a coletiva, Franco informou que o Ministério da Saúde avalia incluir no Plano Nacional de Imunização as doses que sejam adquiridas por municípios ou abatê-las do total a ser enviado pela pasta àquele local. Franco defendo que a vacinação deve ser oferecida de maneira equânime a todos estados e municípios do país ainda que tenha sido aprovada uma lei que permita a compra de imunizantes pelos entes subnacionais.

— Vamos ter que verificar ao confirmar a aquisição por municípios se a gestão dessas doses ficará a cargo do Ministério da Saúde, disponibilizada para todo cidadão brasileiro, seguindo a sequência dos grupos prioritários, ou se caso ele disponha de mais doses seja abatido da quantidade de doses que seria destinada àquele município ou àquele estado. Isso está sendo estudado e o que desejamos é continuar tratando com equidade toda a população brasileira. Esse é o sucesso do PNI com todas as outas vacinas — afirmou.

Nesta sexta, a pasta anunciou a aquisição de mais 10 milhões de doses da vacina Sputnik V com cronograma que prevê a entrega das primeiras 400 mil doses em abril. O secretário afirmou que na semana que vem o governo deve assinar contrato para aquisição das doses da Pfzer e da Janssen. Segundo Franco, a assinatura ainda não ocorreu por conta das farmacêuticas.

— Esses contratos estão sendo analisados pelos setores jurídicos da Pfizer e da Janssen e, de nossa parte, do Ministério, encerramos toda a tramitação. Eles estão deliberando para aprovação e assinatura do contrato, que deve ocorrer na próxima semana. Tínhamos o desejo de que fosse na data de hoje — disse.