Ministério da Saúde assina contrato para comprar 10 mi de doses da Sputnik V

NATÁLIA CANCIAN E RAQUEL LOPES
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério da Saúde informou ter assinado nesta sexta-feira (12) contrato para a compra de 10 milhões de doses da vacina russa Sputnik V, desenvolvida contra a Covid. As doses serão importadas pelo laboratório União Química, parceiro do Fundo Russo de Investimento Direto, que representa o imunizante. Segundo o ministério, o cronograma inicial apresentado pela empresa prevê a entrega de 400 mil doses da vacina até o fim de abril, seguidas de 2 milhões de doses no fim de maio. O restante deve ser entregue até o fim de junho. Apesar do acordo, a vacina Sputnik V ainda não tem registro ou aval para uso emergencial da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o que é necessário para que possa ser aplicada. Segundo o ministério, o pagamento das doses está atrelado à obtenção dessa autorização. Em nota, o secretário-executivo da pasta, Elcio Franco, disse esperar que a empresa faça esse pedido à Anvisa com urgência. "Agora, para que possamos efetivamente aplicar a Sputnik V em nossa população e realizar os pagamentos após cada entrega de doses dessa vacina, só necessitamos que a União Química providencie com a Anvisa, o quanto antes, a autorização para uso emergencial e temporário", disse Franco por meio de nota. A pasta não informou o valor total do contrato. De acordo com Franco, as discussões tiveram início em agosto de 2020. Em fevereiro deste ano, após meses de críticas devido à falta de revisão e o passo acelerado de sua aplicação na Rússia, a vacina Sputnik V teve a análise preliminar de sua fase 3 de ensaios publicada pela revista britânica The Lancet. Os dados apontaram que o imunizante teve 91,6% de eficácia em um estudo com cerca de 20 mil participantes. Desses, houve 16 contaminados que desenvolveram a Covid-19 com sintomas leves no grupo vacinado e 62, entre aqueles que tomaram placebo. Para que possa obter o aval, a vacina ainda precisa apresentar à Anvisa esses dados completos. A União Química chegou pedir o uso emergencial do imunizante em janeiro. A agência, no entanto, devolveu o pedido um dia depois por considerar que ele não tinha as informações mínimas necessárias para análise. Um dos principais entraves à época foi a falta de estudos da vacina feitos no Brasil. No início de fevereiro, a Anvisa aprovou uma mudança nas regras que permite que empresas com estudos em outros países também possam solicitar o uso emergencial -o que foi visto à época como um aceno à Sputnik. Ainda assim, a empresa ainda não apresentou o restante dos documentos necessários. "Estamos abertos para discussão com a União Química, compartilhamos todos os requisitos necessários e nossa expectativa é que os próximos passos sejam tomados pela empresa para que a gente possa seguir com a avaliação e ter certeza que os dados que compõem as informações de segurança, eficácia e qualidade sejam passíveis de aprovação", disse o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes. Um dia antes do anúncio do contrato para compra das doses da Sputnik, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, participou de uma reunião com governadores do Nordeste sobre a possibilidade de adquirir doses que vinham sendo negociadas pelo grupo junto ao laboratório. Segundo informações divulgadas pelos governadores, que fazem parte do chamado consórcio Nordeste, o volume de doses em negociação era de 39 milhões -o qual seria complementar aos 10 milhões de doses que já eram negociados pelo ministério. Questionada, a pasta ainda não respondeu se há possibilidade também de compra dessas doses. Em nota, o ministério diz ter recebido informações da União Química de que a farmacêutica pretende fabricar doses extras no país para atender a demanda nacional. "A possibilidade será avaliada pela Saúde nas próximas semanas e poderá levar à concretização de outro acordo comercial", disse o ministério, sem citar quantidades e valores.