Ministério da Saúde confirma primeira morte por febre hemorrágica no Brasil em 20 anos

Dimitrius Dantas
Fachada do Hospital das Clínicas, onde um paciente morreu por febre hemorrágica

SÃO PAULO — O Ministério da Saúde confirmou na noite desta segunda-feira o primeiro caso de febre hemorrágica em mais de 20 anos. O paciente é do estado de São Paulo e a doença é considerada extremamente rara e de alta letalidade. Ele morreu no último dia 11. Segundo o Ministério, trata-se de um adulto procedente de Sorocaba.

Segundo o Ministério, o paciente passou por três hospitais: inicialmente em Eldorado e Pariquera-Açu, ambos no Vale do Ribeira, e em São Paulo, no Hospital das CLínias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

O paciente realizou exames para a identificação de diversas doenças, como febre amarela, hepatites virais, leptospirose, dengue e zika. Os resultados, no entanto, foram negatios para essa doença. Apenas após exames complementares no Laboratório de Técnicas Especiais do Hospital Albert Einstein que o arenavírus, causador da febre hemorrágica brasileira, foi identificado.

O Ministério da Saúde comunicou o fato para a Organização Mundial de Saúde. A doença é contraída a partir da inalação com partículas formadas a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. É possível também a transmissão de pessoa a pessoa quando há contato muito próximo e prolongado ou em ambientes hospitalares, quando não são utilizados equipamentos de proteção.

"Os funcionários dos hospitais por onde o paciente passou estão sendo monitorados, e avaliados, assim como os familiares do caso confirmado em São Paulo".

Ainda nesta segunda-feira, o Ministério da Saúde convocou reunião com a Secretaria de Saúde de São Paulo, o Hospital das Clínicas, o Hospital Albert Einstein e com os conselhos nacional e estadual de Saúde.

Histórico da febre hemorrágica no Brasil

Segundo o Boletim Epidemióligico divulgado pelo Ministério da Saúde, há a descrição de quatro casos humanos causados pelo vírus identificado no paciente. O primeiro caso, uma mulher de 25 anos, ocorreu em 1990 em São Paulo e deu origem a um segundo caso. Ela contraiu o vírus no município de Cotia, também em São Paulo, dez dias antes do início dos sintomas.

O segundo caso descrito foi um técnico de laboratório que foi infectado acidentalmente durante o processamento da amostra clínica do primeiro caso. O paciente sobreviveu. O terceiro caso ocorreu em um laboratório nos Estados Unidos, também provavelmente durante procedimentos laboratoriais.

Por fim, o último caso é de 1999. Um operador de máquina de grãos de café de 32 anos residente em Espírito Santo do Pinhal, no estado de São Paulo. Após sete dias hospitalizados, o paciente morreu.

O Boletim Epidemiológico afirmou que esse é um evento incomum ou inesperado, já que o vírus (chamado de Sabiá, nome do bairro onde houve a primeira infecção no Brasil, em 1990) não era identificado em território nacional em 20 anos. Segundo o Ministério do a SAúde, contudo, não existe a necessidade de apoio exsterno dos organismos internaiconais. As investigações apontam para um único caso restrito a uma região do país. O paciente, procedente de Sorocaba, viajou para Itapeva e Itaporanga, locais prováveis de infecçaõ, além de Eldorado e Pariquera-Açu. Ele não realizou nenhuma viagem internacional.

"Não há risco para trânsito de pessoas, bens ou mercadorias a nível nacional ou internacional. Este evento éisolado e sua transmissão é restrita", afirmou o Ministério da Saúde.

Sinais e sintomas

O vírus causa uma febre hemorrágica com um período de incubação no organismo que pode durar de uma semana a um mês. A doença inicia com febre, mal-estar, dores musculares, dor de cabeça, tontura, sensibilidade à luz e constipação.

Caso a doença evolua, afirma o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, ela pode levar a comprometimento neurológico. A doença costuma durar entre 6 a 14 dias. Durante a evolução da doença, há manifestações neurólógicas e grave comprometimento do fígado.