Ministério da Saúde confirma primeira morte por varíola dos macacos no Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério da Saúde confirmou a primeira morte por varíola dos macacos no Brasil. O paciente era um homem de 41 anos de Minas Gerais.

Segundo autoridades da pasta ouvidas pela reportagem, a vítima tinha comorbidades e era imunossuprimida.

A pasta informou, por nota, que o homem ficou hospitalizado em hospital público em Belo Horizonte (MG), sendo depois direcionado ao CTI (Centro de Terapia Intensivo).

"O Ministério da Saúde confirma um óbito relacionado a monkeypox, conhecida como varíola dos macacos, no Brasil. Trata-se de um paciente do sexo masculino, de 41 anos, com imunidade baixa e comorbidades, incluindo câncer (linfoma), que levaram ao agravamento do quadro. Ficou hospitalizado em hospital público em Belo Horizonte, sendo depois direcionado ao CTI. A causa de óbito foi choque séptico, agravada pela monkeypox", disse a pasta, em nota.

Em nota, a Secretaria da Saúde de Minas Gerais confirmou que o paciente estava em acompanhamento para "outras condições clínicas graves".

Autoridades do Ministério da Saúde informaram, inicialmente, que a pessoa era de Uberlândia, mas a secretaria de Saúde de Minas Gerais disse que o paciente morava em Belo Horizonte. A Prefeitura de Uberlândia também disse que a vítima não era da cidade.

Até esta quinta (28), o Brasil já registrava 1.066 diagnósticos confirmados da doença, conforme o Ministério da Saúde. O governo federal anunciou a criação de um comitê de emergência para a varíola dos macacos, que foi ativado nesta sexta, e trata a varíola dos macacos como um surto.

No surto atual, já foram confirmadas cinco mortes por varíola dos macacos na África, segundo balanço da OMS (Organização Mundial da Saúde) atualizado até esta quinta. O óbito no Brasil é o primeiro fora do continente africano. "Não tem uma relevância só local. Tem também uma relevância mundial", afirma Julio Croda, médico infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

Especialistas apontam como a primeira morte no Brasil por varíola dos macacos acende um alerta para necessidade de conter o aumento de casos. "Temos que intensificar os esforços para conter essa doença", diz Clarissa Damaso, virologista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e assessora do comitê da OMS para pesquisa com vírus da varíola.

Ethel Maciel, epidemiologista e professora da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), concorda que é necessária tomar ações para evitar o espraiamento do vírus. Uma dessas é a compra de vacinas.

"Nós não podemos mais ficar esperando as pessoas adoecerem e morrerem", diz.

No sábado (23), a OMS classificou a disseminação da doença como emergência pública de preocupação global. A entidade considera a situação do Brasil para a doença como alarmante.

"É muito preocupante para países como o Brasil [...] reportando um número significativo de casos", disse Rosamund Lewis, líder técnica para varíola dos macacos da OMS em entrevista coletiva na terça-feira (26).

A varíola dos macacos, também conhecida pelo nome em inglês monkeypox, é transmitida principalmente ao tocar as lesões na pele que os pacientes apresentam. No surto atual, pesquisas já mostram que a propagação da doença ocorre durante atividades sexuais.

A principal forma de prevenção é o isolamento de pacientes para evitar que outras pessoas tenham contato com os doentes. A vacinação em grupos prioritários e em pessoas que tiveram contato recente com os doentes também são medidas importantes para se proteger da doença.

Até o momento, o Brasil não conta com os imunizantes. O país, por meio da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), espera conseguir as vacinas com a finalidade de vacinar grupos de maior risco, como profissionais da saúde que têm contato direto com o vírus.

A cidade de São Paulo registrou três casos de crianças com a doença. Segundo a Secretaria da Saúde, todas estão em monitoramento e sem sinais de agravamento. Esse foi o primeiro anúncio oficial de casos da doença em crianças no país.

Os casos em crianças preocupam porque elas são mais vulneráveis a complicações da doença. Outro país que já confirmou diagnósticos em menores foi os EUA, com dois casos.

O comitê de emergências criado pelo Ministério da Saúde terá a participação de representantes do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), da Organização Pan-Americana de Saúde, Anvisa (Agência Nacional de Vigilância em Saúde) e do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz.

"O controle da varíola dos macacos é prioridade para o Ministério da Saúde, que realiza o constante monitoramento da situação epidemiológica para orientar ações de vigilância e resposta à doença no Brasil", disse a pasta ao anunciar o centro de operações.

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